Cada vez menos felizes

Conforme vai crescendo a população angolana, logicamente vai crescendo também o número de crianças e, assim, também o número de crianças infelizes e sem futuro. Não está em causa apenas a construção de escolas, que é praticamente a única coisa de que as autoridades se lembram quando querem falar da sua acção sobre esta parte da sociedade, nem as que estão fora do sistema escolar. Trata-se de tudo o resto. Há uma tendência de se relativizar a atenção que a criança merece, tanto a familiar quanto a institucional. E nesta parte então, vai-se de mal a pior. Por exemplo, muitos países assinalam hoje um dia importante, de consciencialização contra a obesidade infantil. Aqui dirão que a preocupação é a quantidade de comida, é haver alguma coisa que se coma e não a qualidade. Não poderia haver pior princípio do que este para educar uma sociedade que quer ter alguma felicidade no futuro. Aqui, nem as instituições de Saúde se preocupam com isto. A criança é um mundo, precisa de uma miríade de atenções, de cuidados, de obrigações dos adultos. Precisa que os adultos se reeduquem para a proteger. Não é o que temos. Nem em termos de alimentação, nem de mobilidade, lazer, espaços para a brincadeira e muito menos de instrução. Temos cada vez mais crianças, mas com cada vez menos do básico para crescerem felizes e serem bons adultos.

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