Moradores do 25 de Dezembro ameaçados por ravinas

Livre das tendas há mais de três anos, os antigos moradores da cidade de Caxito, actualmente estacionados em residências definitivas, receiam ser cercados por buracos

O coordenador do Centro Habitacional 25 de Dezembro, localizado em Mabubas no município do Dande (Caxito), na província do Bengo, Correia Miguel Pedro, manifestou a OPAÍS o descontentamento da comunidade que dirige, pelo facto de as ravinas estarem a progredir entre as ruas das suas moradias. “No princípio, pensávamos que eram apenas alguns buracos abertos pela chuva, mas, depois, começamos a notar que era o prolongamento das ravinas que já existiam próximo do bairro.

Agora, quase todas as ruas já estão afectadas por esse fenómeno e há casas que estão a menos de cinco metros dos buracos”, informou Correia Pedro, conhecido nessas paragens de Caxito como coordenador Jesus. Segundo o líder da comunidade, de há algum tempo a esta parte a circulação automóvel pelas ruas do 25 de Dezembro tornouse bastante condicionada, de modo que muitos condutores, residentes ou não, se vêem obrigados a contornar buracos para chegarem às residências que constituem o seu destino. Perante tal situação, o coordenador Jesus, sentindo-se na obrigação de encontrar solução, conforme fez questão de referir, reuniu-se com os membros da comissão de moradores e decidiu procurar medidas preventivas imediatas enquanto se espera pela intervenção dos responsáveis do município.

“Fizemos chegar os nossos problemas aos órgãos superiores do município do Dande, eles pediram- nos para esperar por dias melhores. Adiantaram-nos também que a maior parte das empresas que detêm máquinas adequadas para travar o impacto das ravinas é do ramo privado”, revelou o coordenador, tendo acrescentado que ficou com a impressão de que a solução podia mesmo demorar algum tempo. Enquanto esperam, os residentes do centro habitacional 25 de Dezembro estão a mobilizar-se, regularmente, para tapar os buracos com pedras, areia e outros materiais que acham utilizáveis, de modo a diminuírem o impacto do fenómeno. “Não sei se estamos a agir de forma correcta ou estamos a agravar mais o problema, mas a nossa ideia é evitar que os buracos estejam a descoberto”, adiantou o coordenador Jesus.

Esgotos, outro problema

Outra problemática que assola os habitantes da vila das Mabubas tem a ver com o entupimento periódico das caixas de distribuição de águas residuais, que chegam mesmo a libertar o lixo para as ruas, de acordo o entrevistado. “Também é um assunto que já levamos às instâncias superiores e prometeram resolver, mas já estamos assim há mais de dois meses e as águas paradas estão a causar outros incómodos de saúde à população, por causa do cheiro e da sujidade que a corrente carrega”, detalhou, Miguel Pedro. Para ele, a inoperância das caixas das fossas deixa o povo do centro habitacional com poucas medidas de precaução, porque, por mais que se esforcem a espalhar as águas, não se livram do efeito das mesmas tão cedo.

Duelo das tendas recordado

O nome do novo centro habitacional dos então moradores da cidade de Caxito (25 de Dezembro) foi atribuído pelos próprios, em homenagem ao dia em que foram surpreendidos pelas águas das forte chuvas que resultaram no desabamento das suas residências, há mais de quatro anos, uma situação que obrigou o Governo local a realojar temporariamente os afectados em tendas. É por isso que, perante às novas vicissitudes, como as ravinas, o entupimento das caixas de passagens de águas residuais, dificuldade de transporte e segurança na entrada para o novo habitat, os moradores se recordam das dificuldades de vária ordem que passaram nas tendas e concluem que “apesar de novas e boas residências, continuamos a lutar com os problemas que o dia-a-dia nos impõe”. Vale lembrar que as situações de água e energia eléctrica estão salvaguardadas a favor dos populares, ao ponto de, no tocante ao primeiro bem (vital) já estarem a evoluir de contas colectivas para individuais.

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