Somoil pode deixar de explorar petróleo nos próximos dias

A Sociedade Petrolífera de Angola “Somoil- SA” pode ser suspensa, nos próximos dias, de exploração do petróleo bruto em onshore (terra), no município do Soyo, província do Zaire, por incumprimento das medidas de protecção ambiental

A informação foi assumida pela técnica da Unidade de Apoio à Monitorização Industrial, Auditoria e Gestão de Derrames, adstrita ao Ministério do Ambiente, Madalena Fernandes. Entre os incumprimentos desta empresa petrolífera nacional, a responsável referiu-se à não requalificação ou renovação da rede de oleodutos que interligam as suas áreas de produção às bases petrolíferas, em on-shore de Kinfukena e Pangala, na periferia da cidade do Soyo. A técnica do Ministério do Ambiente chefia um grupo de especialistas que, no terreno, avalia as consequências dos últimos dois derrames de média proporção, registados no pretérito mês de Maio, nas localidades de Kinganga Mavakala e Kitona, que distam entre 10 e 14 quilómetros da cidade do Soyo.

Madalena Fernandes, que falava à Angop, recordou que a legislação vigente obriga o poluidor a responsabilizar- se pelos seus erros e, em caso de falhas recorrentes, será suspensa a actividade da empresa. Declarou que a suspensão da actividade da Somoil ainda não foi decidida, mas a revogação da licença vai depender da apresentação de um plano exequível de monitorização e substituição das linhas de transporte do óleo negro, a ser acompanhado pelas autoridades competentes. A ambientalista explicou que em lugar da suspensão, caso a orientação do seu pelouro for acatada em tempo oportuno, a petrolífera nacional limitar-se-á a pagar uma indemnização pelos danos ambienrtais causados, mas sem avançar montantes nem os prejuízos causados ao ambiente.

Lembrou que o Ministério do Ambiente voltou a notificar a Somoil em 2018, pelas mesmas falhas, tendo orientado na altura um plano de substituição das linhas de transporte de crude, que já se encontravam em estado avançado de degradação, o que não aconteceu. Disse que, mesmo depois de aconselhar a Somoil a contratar uma empresa especializada no tratamento de solos contaminados, a petrolífera limitou-se a paliativos, cobrindo terra nas zonas afectadas pelo derrame, sem contudo tratar e remover os solos contaminados, como recomendado. A administradora municipal do Soyo, Lúcia Maria Tomas, alerta para os perigos dos derrames de petróleo para a saúde da população e o ecossistema, a curto, médio e longo prazo.

Lembrou que, em 2008, uma fuga de gás numa das plataformas petrolíferas obrigou a evacuação de centenas de pessoas que residiam na periferia da zona de exploração e resultou na assistência de muitas dessas pessoas em estado grave no hospital municipal. A administradora espera que a empresa faça um trabalho profundo de substituição das suas linhas de transporte, para se evitar tragédias do género ou de maiores proporções. Informação a que Angop teve acesso junto da empresa Somail refere que, no quadro do programa de substituição de algumas linhas de transporte do crude que interligamos campos de produção aos de aprovisionamento, já foram intervenciados cerca de 80 quilómetros de oleodutos, que correspondem a cerca de 75 por cento da total das linhas em operação. A Sociedade Petrolífera Angolana Somoil explora petróleo em terra há mais de 20 anos no Soyo, em áreas anteriormente operadas pela petrolífera francesa Total.

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