Militar mata a esposa e suicida-se em Malanje

O homicídio que vitimou a cidadã que em vida se chamou Laureth Jandira, de 32 anos, funcionária pública, colocada na Administração Municipal de Mucari e, em seguida, o suicídio do homicida que em vida se chamou Jivikov Lenguluka, de 46 anos, capitão das tropas especiais das Forças Armadas Angolanas (FAA), está a comover a sensibilidade dos citadinos de Malanje

POR: Miguel José, em Malanje

O facto aconteceu na noite de Domingo último (2/06), por volta das 22 horas e 30 minutos, no centro urbano da cidade de Malanje, rua Cândido dos Reis, quando Laureth Jandira regressava de viagem (Luanda). A jovem foi atingida mortalmente com um tiro na cabeça, disparado pelo seu próprio marido, que também, de seguida, se suicidou com um disparo no abdómen. Segundo a tia da vítima, Antónia Cabral, consternada, a sua sobrinha tão-logo desembarcou na cidade, seguiu imediatamente para a casa da prima.

Passados alguns minutos, o marido fez uma ligação telefónica para saber onde ela se encontrava e ordenou que ela fosse imediatamente para casa. Mal chegou a casa, o esposo, que estava a sua espera com uma pistola, disparou e atingiu-a fatalmente na cabeça. A tia da malograda referiu que a relação no casal já era de conflitos, tanto que ele ameaçava-a de morte sempre que se desentendiam. “Nós já esperávamos que este senhor, qualquer dia iria matar a mulher. Devido às promessas de morte, a família pediu a separação, mas ela era obcecada pelo marido”, lamentou.

Motivação passional

O porta-voz do Serviço de Investigação Criminal (SIC), superintendente Lindo Ngola, conferiu que um dia antes da ocorrência, o suposto autor do assassínio chegou a Malanje vindo de Cabo Ledo, onde estava destacado na condição de militar das tropas especiais das FAA. “Uma vez que encontrou a esposa fora de casa, Jivikov Lenguluka ficou desconsolado, pois não dispunha de qualquer informação sobre o seu paradeiro, muito menos, de alguma comunicação prévia”. Entretanto, 24 horas depois, quando a esposa retornou à procedência, ao pedir satisfação sobre a sua ausência de casa sem qualquer comunicação, muito menos justificação, “o sentimento passional apoderou-se de si, e ele disparou certeiro na cabeça de Laureth, tendo, de seguida, decidido, também, pôr fim à sua vida”. Segundo o porta-voz do SIC, está- se diante de um crime de violência doméstica que resultou em homicídio e suicídio por motivação passional, tendo em conta que a relação entre ambos já extravasava em ciúmes.

Sociedade condena

Em torno da ocorrência, as pessoas dos mais diferentes extractos da sociedade condenam a acção criminosa que resultou em homicídio e consequente suicídio. No caso pendente, o académico António Hélder considera que a predisposição à agressão latente nas pessoas, de pôr fim à vida de outrém e de si mesmas, sem pensar duas vezes, demonstra transtornos psico- sociais que acometem o seu estado emocional. “Temos vindo a observar que nos últimos tempos a onda de homicídios passionais são crescentes na sociedade, por falta de diálogo coeso entre os parceiros”, sublinhou.

Já na óptica da estudante de psicologia Teresa da Consolação, os crimes praticados por motivos passionais são difíceis de ser compreendidos, tão grande é a sua complexidade. É uma acção em que o homem procura ver-se livre de um problema ou duma situação que, de certa forma, a sociedade julga sem saber as reais causas que levaram a praticá-la. O casal vivia maritalmente há pouco mais de cinco anos e deixa órfã uma filha de 4 anos. Celestino Manuel, um dos vizinhos, disse que depois que ouvirem os tiros, correram para o local do incidente e encontram o casal morto. O suposto homicida que em vida se chamou Jivikov Lenguluka era militar e ostentava a patente de Capitão.

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