Não é amor, é sangue, é dor

Mais um homem que matou a sua mulher. Este, como em alguns outros casos, acabou por se suicidar. Aconteceu em Malanje. Como sempre, algumas pessoas também se metem a tentar culpar a vítima, justificando com supostas traições da mulher. Se fôssemos mais ligeiros, a pergunta, sabendo-se que há uma quase legitimidade da traição masculina em Angola, é: “e pensam que eles traem as suas mulheres com quem”? com outras mulheres, claro. Portanto, se eles traem, tem de ser com elas. Mas este é um ângulo que sei que desperta polémica. Além de que não se sabe ainda das razões para mais este caso, portanto, os nossos machistas sem procuração estão a precipitar-se e a desrespeitar as almas do casal. Vamos ver a coisa de outra forma, que é a que me traz ao assunto. Estes casos começam a ser recorrentes e muito mediatizados. Não sei se é boa ideia continuar a mediatizar estes “heróis” que limpam a honra com sangue, porque deve ser isso o que passa pelas suas cabeças, que não se lembram que matam, isso sim, a sua honra. E a das suas famílias. Não sei também se a divulgação não é ela própria o rastilho para a explosão de outras mentes, que seguem o exemplo. A não ser que se aproveite para educar. Há muito por se discutir sobre a saúde mental da nossa sociedade, sobre as bases em que assentam as famílias, a ideia da vida com o outro, a ideia do outro como ser único, independente e com personalidade própria. A ideia do compromisso e do respeito. Há que dizer aos homens e às mulheres, também, que o amor verdadeiro não ameaça de morte, se alguém o fi zer, o melhor é afastar-se, porque pode acontecer. Há que ensinar aos angolanos o que é o amor, que é o que mais falta nesta sociedade.

error: Content is protected !!