Research Atlântico: O desempenho dos mercados financeiros em Maio

Os mercados financeiros foram penalizados durante o mês de Maio, interrompendo a tendência ascendente apurada nos meses anteriores, como resultado das incertezas dos investidores face aos últimos acontecimentos

Durante o período em análise o índice MSCI World registou redução de 6,08%, ao situar- se em 2.046,25 pontos. A análise desagregada das economias avançadas demonstram que os principais índices bolsistas norte-americanos, Dow Jones e S&P 500, reduziram 6,69% e 6,58%, fixando-se em 24.815,04 e 2.752,06 pontos, respectivamente. A performance dos índices dos EUA poderá reflectir as incertezas sobre a evolução da economia mundial, tal como a intensificação das tensões comerciais.

Entretanto, a divulgação de indicadores positivos, como o fortalecimento do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego a reduzir 0,2 p.p., para 3,6% em Abril, e a aceleração do crescimento económico no primeiro trimestre, de 2,2% para 3,1% poderão ter contribuído para a atenuação da redução dos índices bolsistas. O Dax 30, índice da Alemanha, situou- se em 11.726,84 pontos, uma redução mensal de 5%. À semelhança, os índices da Inglaterra, FTSE 100, e do Japão, Nikkei 225, reduziram 3,46% e 7,45%, fixando- se em 7.161,71 e 20.601,19 pontos, respectivamente. Relativamente às bolsas das economias emergentes, o índice MSCI Emerging Markets diminuiu 7,53%, ao situar-se em 998,00 pontos, com o índice da China, CSI 300 a merecer o maior destaque, ao reduzir 7,24%, fixando-se em 3.629,79 pontos, reflexo do aumento das tensões comerciais.

A aplicação de tarifas e retaliações tem agravado os receios dos investidores. Entretanto, as tensões não se restringem apenas aos dois países, com os EUA a anunciar recentemente a imposição de tarifas sobre todos os produtos importados do México, a partir de 10 de Junho, que poderão variar entre 5% e 25%. Por outro lado, os dados da economia chinesa de desaceleração da produção industrial homóloga, de 8,5% em Março para 5,4% em Abril, associada à diminuição inesperada do superavit comercial, em 57,33%, durante o mês de Abril, situando-se em 13,83 mil milhões USD poderão ter impactado o desempenho do índice bolsista. Contrariamente, o índice bolsista do Brasil, Ibovespa, registou aumento de 0,70%, para 97.030,32 pontos, beneficiando do optimismo no cenário político, com a análise da reforma da segurança social.

No mercado cambial, a moeda norte-americana apresentou um desempenho ligeiramente positivo, com o USD índex (que avalia o desempenho do dólar face às principais contra-partes) a aumentar 0,28%, fixando-se em 97,75 pontos. Consequentemente, a cotação da libra e o euro registaram depreciação de 3,17% e 0,43%, tendo atingido 1,2629 e 1,1169 USD por unidade da moeda, respectivamente. Importa ressaltar, que a performance da libra reflecte também as incertezas políticas no Reino Unido, com a decisão de Theresa May de renúncia do cargo no próximo dia 07 de Junho. As moedas das economias emergentes registaram depreciação generalizada, com o índice J. P. Morgan Emerging Market Currency a contrair pelo quarto mês consecutivo, em Maio. O indicador situou-se em 61,51 pontos, que representa uma redução de 1,51%, que poderá ser justificada pela moderação das estimativas de crescimento económico mundial e o agravamento das tensões comerciais.

O mercado das matérias-primas não escaparam do impacto, com o mercado petrolífero a ser o mais prejudicado. A cotação do Brent situou-se em 64,49 USD/barril no final do mês de Maio, que representa uma redução de 11,41%, a maior queda mensal dos últimos seis meses. À semelhança, o WTI diminuiu 16,29%, ao fixar-se em 53,50 USD/barril. O desempenho do preço do crude reflecte os receios de uma redução do consumo (procura) em consequência das perspectivas moderadas de crescimento económico e das tensões geopolíticas e comerciais em alguns países. Outros activos como a platina e a prata reduziram 10,93% e 2,24% para 793,72 USD/ onça e 14,59 USD/onça, respectivamente. Entretanto, em períodos de incerteza a procura por activos de refúgio, como o caso do ouro, tende a aumentar, o que contribuiu para a valorização da commodity em 1,71%, para 1.305,58 USD/onça. No mercado de dívida, o destaque recaí para a tendência decrescente verificada nas yields da dívida soberana dos principais países desenvolvidos, que poderá reflectir a apetência dos investidores por activos considerados mais seguros.

A yield da dívida soberana norte-americana a 10 anos reduziu cerca de 37,7 p.b., ao situar-se em 2,125%, o que poderá incluir a posição mais cautelosa da Reserva Federal relativamente a continuidade da normalização da taxa de juro de referência. As yields da dívida soberana, da Alemanha, França e Reino Unido, com a mesma maturidade, contraíram 21,6 p.b., 15,9 p.b. e 29,8 p.b., ao situarem- se em -0,204%, 0,207% e 0,885%, respectivamente. A continuidade das incertezas nos mercados financeiros poderá contribuir para a efectivação das perspectivas de desaceleração do crescimento económico mundial durante o ano corrente, que segundo o Fundo Monetário Internacional poderá variar de 3,6% em 2018 para 3,3% em 2019.

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