“Saúde móvel” prevê contemplar 60 mil famílias

O projecto “saúde móvel” até ao momento já atendeu mais de 20 mil famílias nas províncias da huíla, huambo e Bié. Segundo os seus mentores, até ao fi nal da primeira fase do projecto almejam contemplar 60 mil famílias

A organização People in Need, uma instituição oriunda da República Checa e que está em Angola desde 2006, em 2017 começou a desenvolver o projecto “saúde móvel” nos municípios do Cuito, Andulo e Chinguar (província do Bié), Lubango e Matala (Huíla) e Huambo sede (Huambo). A directora Nacional da ONG, Klára Jelínková, contou que a People in Need trabalha em cinco áreas problemáticas e uma delas é a saúde pública e nutrição, sendo que em 2015 conseguiram fundos para o projecto “Saúde Móvel”, com intuito de cuidar e garantir a saúde de gestantes e de bebés, ou daquelas mães que frequentam as consultas pré-natais.

Para implementação do programa, foi necessário criar uma parceria com a empresa Unitel, tendo em conta que havia necessidades de comunicar com as mães regularmente. A instituição de telefonia móvel abraçou o projecto e, em 2017, no mês de Outubro, começou a ser implementado com o objectivo primordial de contribuir para a redução da taxa de mortalidade infantil nas regiões acima referidas. Diminuir o número de partos fora dos hospitais e centros médicos, influenciar positivamente o comportamento das mães no cumprimento do calendário de vacinação das crianças, mudar o comportamento das mães quanto a sua higiene e a do recém-nascido, são outros dos objectivos do projecto.

“As mães recebem mensagens de voz a custo zero, da importância de amamentar exclusivamente o seu filho com leite materno; importância da vacinação; da higiene; da prevenção de algumas doenças, entre outras informações, em Português e em Umbundo”, disse. Apesar de muitas mães terem conhecimentos sobre a saúde materno-infantil, outras não têm esse domínio, por falta de informação e por não saberem ler nem escrever. Pelo facto, optaram por enviar as mensagens escritas e de voz, sendo que o SMS de voz é feito em duas línguas e “pretendemos, nos próximos meses, aumentar os idiomas”, diz Eunice de Carvalho, directora- geral adjunta para assuntos corporativos da Unitel, pois esta estratégia tem permitido superar algumas barreiras, como as criadas pelo facto de as pessoas não saberem ler nem escrever. As mensagens de voz automatizadas são lidas por actores que criaram personalidades adequadas à cultura local, tornando o serviço agradável e eficaz na mudança de comportamentos. Para aquelas mães que não têm acesso ao telemóvel, segundo Eunice Carvalho, a empresa de telefonia móvel está a estudar como fazer chegar a informação. Considerando que o objectivo é chegar a todos os municípios das três províncias em que foi implementado o projecto. Para a recepção da SMS, os interessados não devem necessariamente ter um telefone ‘top de gama’, basta simplesmente ter um laranjinha, por exemplo, ou outro apropriado para receber a informação.

“Saúde Móvel” atrai mães a unidades sanitárias

Klára Jelínková declarou que o número de mães que participam nas consultas pré-natais aumentou consideravelmente depois da implementação do projecto, assim como as que procuram os serviços sanitários para dar à luz os seus bebés. Reconhecemos que esta área tem grande potencial, mas por agora estamos apenas a nos focar nalguns assuntos, sendo que ainda estamos a trabalhar na prevenção de VIH / SIDA, transmissão da mãe para o filho, e vamos implementar nos próximos meses o envio do SMS ligado ao tema. Entre as dificuldades que os mentores encontram no desenvolvimento do programa está o facto de nem todas as mães ou famílias terem telemóvel, e a duração das mensagens também tem representado alguma inquietação aos receptores. O número de mães ou famílias que beneficiam do projecto foi registado pelos técnicos das unidades de saúde públicas. Os mentores prevêem desenvolver o programa num espaço de três anos.

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