Calou-se para sempre a “guitarra” de Sebastião Matumona

Era um dos mais experientes guitarristas angolanos. Pelo agrupamento Ngoma Jazz ficou conhecido Sebastião Matumona, que nas décadas de 1960-70, fazia furor entre a juventude

Sebastião Matumona deixou o mundo dos vivos na madrugada desta Segunda-feira, no Hospital Militar Principal, vítima de um cancro no fígado que o apoquentava há cerca de três meses. Durante a sua última aparição pública em Luanda, em que foi homenageado pelo projecto Muzongué da Tradição, há um ano, o lendário guitarrista manifestara a OPAÍS a intenção fazer ressurgir o Conjunto Ngoma Jazz, com integrantes mais novos. Na altura desta revelação, confidenciada em exclusivo a este jornal, Sebastião Matumona dizia que tencionava trazer de volta o seu agrupamento (Ngoma Jazz), mais renovado, de modo a que a juventude conhecesse o legado de um dos grupos mais representativos da música popular.

“O que está a inviabilizar a reformulação do grupo tem sido os desencontros com os demais membros, embora a maior parte deles já seja falecida. Por esse motivo, em sua substituição serão lançados novos executantes”, dizia Matumona à margem do Muzongué da Tradição.“É hora de passarmos o nosso testemunho aos mais jovens, por isso pretendo colocar novamente o grupo na ribalta, passando a nossa experiência aos mais novos, para revisitarmos o nosso reportório apresentado há muitos anos”, referiu.

Homenagens

Sebastião Matumona foi alvo de várias homenagens, com destaque para as da Rádio Nacional de Angola, que o prestigiou na edição do Top dos Mais Queridos de 2016, igualmente na 22ª edição do programa “Caldo do Poeira”, a 29 de Janeiro de 2004, no Centro Cultural e Recreativo Kilamba e, muito recentemente, pela TV Zimbo. Sebastião Matumona voltou a ser homenageado no mesmo espaço há um ano. De salientar que durante o encontro da última homenagem, juntou na “Catedral do Semba” centenas de luandenses, espanhóis e finlandeses. O filho da Damba (Uíge) voltou a solar a sua guitarra em quatro temas musicais, sendo que o quinto foi a pedido da plateia que o reviu tocar “Ôh Belita Kirikiri”, “Sa Madia”, “Encantando para ti”, um merengue solado e “Lola”, com suporte musical da Banda Movimento.

Trajectória

Matumona Sebastião nasceu no dia 28 de Maio de 1937 na aldeia de Cussupete, Damba, província do Uíge, e chegou a Luanda em 1946, com apenas 9 anos de idade. Cinco anos depois, fixa residência em Benguela, onde os pais se haviam deslocado por razões profissionais. Matumona compra a sua primeira guitarra aos 17 anos, numa altura em que trabalhava no Grémio de Pesca em Benguela, o seu primeiro emprego. O contacto com os cabo-verdianos hospedados no Grémio foi útil para o desenvolvimento e aprendizagem dos segredos da guitarra. Adepto das suas convicções, Sebastião Matumona foi fiel ao dogma e à liturgia da Igreja Tocoísta, sobre a qual teve algumas retracções quando foi convidado a mergulhar no universo da música profana. Primeiro no “Asa Negra”, com Joffre Neto (vocalista), Sebastião Matumona (viola solo) e Ressurreição (percussão). Recorde-se que o Conjunto Ngoma Jazz era integrado por Mangololo, Caetano, Zé Manuel, Ferreira e Pedro Augusto.

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