PR reforça aposta na refinação para redução de importação de combustível

O Presidente da República abriu a Conferência Internacional sobre Petróleo e Gás colocando assento tónico na refinação, lembrando que Angola importa 80% dos derivados de petróleo que consome

O petróleo e gás e a sua importância na economia angolana começaram a ser discutidos ontem, em Luanda. Na cerimónia de abertura, o Presidente da República, João Lourenço, destacou a importância da matéria-prima no alavancar da economia. Na sua comunicação, o Chefe do Executivo reconheceu que, “apesar dos esforços tendentes a diversificar a económica, o petróleo ainda tem lugar de destaque na economia nacional”, disse. João Lourenço lembrou, para justificar a necessidade de novos investimentos na construção de refinarias, que o país importa 80% dos combustíveis e derivados que consome. Sendo assim, o Presidente da República reiterou o compromisso do seu Executivo em construir refinarias nas províncias de Benguela (Lobito) e em Cabinda.

“Se o estudo assim o determinar, o município do Soyo – província do Zaire, também terá uma refinaria”, anunciou, João Lourenço. Falando para uma assistência composta por 1200 pessoas, entre delegados e convidados, o estadista disse que “Angola está empenhada na atracção de investimentos na indústria do petróleo e gás. E esta Conferência Internacional é uma boa oportunidade”, sublinhou. Disse que, infelizmente, diversas condicionantes de ordem técnica, operacional e estratégica, provocaram nestes últimos anos uma redução da produção de petróleo, o que obrigou o Executivo a tomar várias medidas para fazer cumprir os objectivos e metas do Plano de Desenvolvimento Nacional 2018- 2022 para o sector petrolífero.

O Chefe de Estado referiu que o Programa de Desenvolvimento e Consolidação da Fileira do Petróleo e Gás, inscrito no Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022, compreende três grandes objectivos, designadamente impulsionar e intensificar a substituição de reservas com vista a atenuar o declínio acentuado da produção, garantir a auto-suficiência de produtos refinados através da construção de novas refinarias e da ampliação da existente e melhorar a rede de distribuição de combustíveis e lubrificantes em todo o território nacional, através do aumento da capacidade de armazenagem. Aos participantes, lembrou que África detém um potencial considerável de hidro carbonetos. E neste âmbito, realçou, Angola ocupa um lugar cimeiro que deve ser aproveitado.

José Severino pede cautela

Para José Severino, o Presidente da República continua a demonstrar pragmatismo e visão em relação aos assuntos económicos, mormente ao sector petrolífero, na busca de uma solução para um aumento da produção. “Chegamos a ter dois milhões e 200 mil barris de petróleo por dia, e hoje estamos pela metade. Provavelmente seria satisfatório uma perspectiva de chegarmos a uma produção de um milhão e 400 mil barris, como fez questão de dizer o PCA da Agencia Nacional de Petróleo e Gás. Mas chegarmos ao nível em que já estivemos vai levar um máximo de sete anos”, estimou. Ainda assim, entende ser melhor a tendência de crescimento, embora reconheça tratar-se de um produto muito volátil que tanto pode estar em alta, como pode estar em baixa, causando dessabores às economias petro-dependentes.

“É preciso continuarmos o programa de salvação da economia real, no sentido de ela voltar a ser um factor decisivo para colmatar eventuais baixas orçamentais que surjam da queda do barril de petróleo”, alertou. Refere que os investidores privados não estão de acordo que o Governo imponha como limite 75 mil barris de petróleo por dia, pois entende que não é viável. Por outro lado, José Severino defende a instalação de uma refinaria mais a sul, sobretudo na província do Namibe, discordando, por isso, da possibilidade de abertura de uma unidade para refinação em Cabinda e outra no Soyo, como admitiu o Presidente da República. “Há países que não têm petróleo, no entanto, têm refinaria, como é o caso da África do Sul. Portanto, precisamos analisar bem o que queremos”, sugeriu.

Novas licitações

em Outubro Na sua breve comunicação, o Presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional de Petróleo e Gás, Paulino Jerónimo, disse que o Executivo aprovou, em Fevereiro do ano em curso a estratégia geral de concessões 2019/2025. “Essa estratégia prevê a atribuição de 55 novas concessões até 2025. E em caso de sucesso, vai contribuir para a manutenção das reservas brutas.” Na mesma ocasião, anunciou, a abertura de um concurso público, em Outubro, para novas concessões nas bacias do Namibe e de Benguela. Das licitações anunciadas, nove serão no Namibe, e umaa em Benguela.

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