Vice-presidente visita hoje a Quiçama

O vice-presidente da República realiza a partir de hoje, Quarta-feira, 5, uma visita de 48 horas nas diferentes comunas do município da Quiçama. De acordo com o programa a que OPAÍS teve acesso, Bornito de Sousa deverá auscultar as comunidades locais

No primeiro dia de visita, o vice-presidente será recebido pelo governador de Luanda, Sérgio Luther Rescova, e o administrador comunal, Serafim Catari, na comuna de Quixinge, aonde visitará a antiga administração comunal, a escola nº 7012, o posto de Saúde e no final dos trabalhos irá dirigir o conselho comunal de auscultação da comunidade. De acordo com o programa de visita a que este jornal teve acesso, o vice-presidente vai-se deslocar, também, às comunas de Mumbondo, Demba-Chio e Muxima e, nesta última, irá visitar o projecto de águas, a central térmica, o hospital municipal, a urbanização do Coxi e vai, igualmente, auscultar as comunidades locais.

No segundo dia, os trabalhos terão início na comuna do Cabo Ledo, onde o vice-presidente vai visitar a futura central térmica, o centro materno infantil, o gerador da zona 10, a escola 7029, estando, igualmente, agendado encontro com os Adecos e auscultação àquela comunidade. Para a conclusão das visitas, Bornito de Sousa vai visitar o Parque Nacional da Quiçama onde será recebido pelo secretário de Estado do Ambiente, Joaquim Lourenço Manuel. O regresso a Luanda está previsto para as 18 horas. De referir que, no mesmo âmbito, o vice-presidente da República visitou, recentemente, os municípios do Curoca, no Cunene, Baía Farta e Catumbela, Benguela, onde, juntamente com representantes de alto escalão de diversos departamentos ministeriais, contactou entidades locais e visitou empreendimentos económicos e sociais.

Na Quiçama, crianças trocam escola pelo campo e pesca

A dois meses em reportagem o jornal OPAÍS apurou que, em média, 35 alunos matriculados na Escola nº 7030, na localidade da Tandala, Ilha Dourada, município da Quiçama, em Luanda, abandonam as salas de aulas para se dedicarem ao trabalho nos campos agrícolas e pesca fluvial. A revelação foi feita, na altura ,pelo director do referido estabelecimento, Edilson António, que se referiu ao fenómeno de abandono escolar como tendo vindo a acontecer desde a fundação da escola, em 2014. O responsável disse que os alunos são ‘arrastados’ para os campos de cultivo pelos próprios pais e encarregados de educação, que encontram nos filhos as pessoas ideais para os ajudar na actividade e, deste modo, se irem aperfeiçoando para no futuro herdarem os campos e os equipamentos de pesca. “Os nossos encarregados são maioritariamente camponeses e pescadores que levam os filhos para muito longe”, disse o gestor escolar, acrescentando que tem sido difícil lidar com esta situação. Entretanto, o responsável apontou a distância como outro factor que contribui para a desistência dos petizes, tendo em conta que a escola acolhe alunos de diferentes aldeias espalhadas entre Icolo e Bengo e Quiçama, como são os casos de Cabala, Bumba e Macesso.

Resgate porta-a-porta

Edilson António disse que, no princípio, os casos de abandono escolar registavam números mais elevados, mas que nos últimos tempos têm diminuído, fruto da sensibilização que se tem levado a cabo junto da comunidade. Nesta empreitada tem sido fundamental o empenho dos professores que realizam buscas porta-a-porta, principalmente para os alunos que mostram indícios de abandono escolar A escola 7030, localizada no acampamento onde foram realojados os ex-moradores da Chicala, lecciona o ensino primário e o primeiro ciclo, e é no primeiro nível de ensino, segundo o responsável, que se registam os maiores índices de abandono escolar. Para este ano, a escola da ‘Ilha Dourada’ conta com 335 alunos inscritos no ensino primário e 147 do primeiro ciclo, perfazendo 482, segundo dados fornecidos pela direcção da instituição.

Professores alojados nas salas

Na escola da ‘Ilha Dourada’ há material didáctico em abundância, assim como mobiliário escolar. Aliás, uma das salas de aulas foi transformada em armazém, onde a direcção municipal guarda parte do excedente do material. Mas, os professores queixam- se de falta de alojamento condigno porque a escola não dispõe de uma casa para o efeito, o que obrigou a direcção a disponibilizar duas salas contentorizadas que foram transformados em dormitórios femininos e masculinos, onde simultaneamente funciona o quarto, sala e cozinha. Silvestre Calema descreve as dificuldades por que passam os professores, desde a escuridão às noites por falta de energia, até à falta de uma casa condigna para aqueles que têm a missão de transmitir conhecimentos aos alunos. “Precisamos pelo menos de uma televisão para os professores se actualizarem”, apelou Silvestre Calema. Edilson António reconhece o problema e disse que a situação é do conhecimento da administração municipal, todavia, refere não haver qualquer luz no fundo do túnel para a sua resolução. O município da Quiçama possui cinco comunas, nomeadamente, Muxima, Cabo Ledo, Demba Chio, Mumbondo e Kixinge, uma população estimada de 20 mil habitantes que se dedica, maioritariamente, à actividade agrícola e à pesca artesanal. Possui uma superfície de 12 mil e 45 quilómetros quadrados.

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