BNA quer venda directa de moeda das petrolíferas aos bancos

O Banco nacional de Angola (BnA) está a trabalhar com as companhias petrolíferas para a venda directa de divisas aos bancos comerciais, disse em luanda, o governador do Banco central, José de lima Massano

Segundo o responsável, actualmente, a venda de dólares aos bancos comerciais por via das empresas petrolíferas, acontece apenas para acordos tripartidos, aqueles em que as companhias petrolíferas identificam os seus fornecedores críticos. “O que queremos fazer é mais do que isso. Queremos chegar a um ponto em que as companhias petrolíferas, também para outras necessidades, não necessariamente para os acordos tripartidos, possam vender directamente a moeda aos bancos comerciais”, frisou Segundo o responsável, o BNA está a trabalhar com a Associação dos Operadores Petrolíferos para a definição de um calendário, porquanto tiveram algumas situações condicionantes relacionadas com a organização quase voluntária que o mercado foi tendo para a aquisição dessa moeda, o que, de alguma forma, exerceu também uma pressão sobre a formação da taxa de câmbio.

Disse que, ao fazer a devolução dessas transacções aos bancos comerciais, o Banco Central quer certificar-se de que elas acontecem num quadro de estabilidade e contribuem para o desenvolvimento da economia. Quanto às reservas internacionais, divididas em três categorias, designadamente recursos do Banco Central, recursos do Tesouro e recursos dos bancos comerciais, que estão à guarda do BNA, Lima Massano afirmou que as reservar têm como fonte principal o sector petrolífero, frisando que qualquer abrandamento da produção e redução de preço tem um impacto sobre as reservas. Explicou que a componente que mais afecta o desempenho das reservas é a fiscal, uma vez que, para o exercício fiscal, o tesouro faz recurso às suas reservas que tem no BNA, para que a despesa pública e outras despesas possam ser honradas. “Isso tem impacto negativo sobre as reservas internacionais.

Olhando para o sentido das reservas e o volume de oferta que o Banco Central faz ao mercado, nota-se uma discrepância que tem a ver com a utilização que o tesouro faz para honrar pagamentos resultantes da demanda da moeda estrangeira que não é colocada à disposição por via dos leilões”, realçou. A Conferência “Angola Petróleo e Gás 2019”, que decorre de 4 a 6 deste mês, acontece numa altura em que estão em curso reformas profundas no sector do petróleo e gás, iniciadas em 2017, daí o apoio do Executivo a esta iniciativa da África Oil & Power. O fórum, que junta os principais “players” da indústria petrolífera mundial e empresas de consultoria, mercado petrolífero nacional e internacional, aborda os desafios da exploração em offshore e onshore. Além dos responsáveis do sector, participam no evento mais de 800 delegados, entre membros de governos de países produtores, representantes de instituições internacionais e das principais petrolíferas e as distribuidoras mundiais Total, Chevron, ExxonMobil, BP, ENI e Equinor.

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