A Quiçama radiografada por Bornito de Sousa

A Quiçama radiografada por Bonito de Sousa, vice-presidente da república, beneficiaria este ano de uma dotação de 1 mil milhão, 426 milhões, 418 mil e 412 Kwanzas, prevista no orçamento geral do estado (oge) de 2019 substituído pelo que foi ontem aprovado na generalidade

Há anos que OPAÍS calcorreia por essas zonas dando voz aos munícipes que vivem as peripécias de uma terra rica em recursos naturais e turísticos, mas que não se desenvolve por falta de investimentos. Nesta edição, o jornal faz uma radiografia sobre as principais dificuldades que a população enfrenta e espera ver resolvidas depois da visita. A população que é maioritariamente camponesa, cultiva massambala, mandioca em grande escala, o milho, variedades de feijão, abóbora, e em pequena escala produtos da horticultura e citrinos, pelo que vive da agricultura e da pesca artesanal quando chove muito.

Vias de Acesso

As vias de acesso constituem o principal entrave para o desenvolvimento do município. Para escoarem os produtos, os camponeses de Dembo-Chio, uma das localidades mais distantes da sede do município, recorrem a camionistas interessados em fazer permutas. Os camionistas dirigem-se às aldeias de Dembo-Chio levando produtos da cidade e trocam com os do campo. Mas essa situação altera-se de Dezembro a Abril, porque “tudo fica parado devido ao mau estado da via e, como consequência, os produtos agrícola estragam-se”. Outra inquietação é a falta de materiais para o cultivo.

Educação

O município tem 24 escolas. Na Muxima há sete, sendo cinco do Primário, uma do I Ciclo e uma do II Ciclo; no Cabo Ledo, cinco do Primário e uma do I Ciclo; no Mumbondo há três escolas do Primário e uma do I Ciclo; Demba-Chio tem duas escolas do Primário e uma do I Ciclo. Já no Quixingue há três escolas do Primário e uma do I Ciclo. No entanto, há pelo menos uma escola devidamente apetrechada mas com falta de alunos e de professores por estarem distantes das zonas habitacionais. O programa de merenda escolar beneficiou, no ano passado, somente 14 escolas, conforme revelou o administrador municipal, Vicente Soares, em entrevista recente ao jornal OPAÍS.

Energia eléctrica

O fornecimento desse serviço público é assegurado por grupos geradores. Na sede municipal é assegurado por dois geradores. As sedes das comunas contam com um gerador cada, mas enfrentam constrangimentos para fazer chegar a luz eléctrica às residências. O fornecimento de combustível para tais máquinas é outro desafio a ser vencido.

Água potável

Apesar de ser banhado por dois grandes rios, o Cuanza e o Longa, o fornecimento de água potável ainda é uma miragem. As autoridades locais alegam que tem sido difícil por causa da distância que separa os rios das zonas habitacionais. A comuna de Cabo Ledo, por exemplo, está localizada numa área que dista cerca de 40 quilómetros do rio Cuanza, e 80 km do Rio Longa. A administração municipal tem um projecto e para transportar a água do rio Cuanza para essa comuna e um outro projecto de dessalinização, que só não estão a ser implementados por razões financeiras. Nas demais, o abastecimento de água à população é feito por via de camiões-cisterna. O que não tem sido eficaz devido a avarias que se registam nos mesmos. Já os habitantes na vila da Muxima são os mais privilegiados. Está em construção uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA). A actual não satisfaz as necessidades.

Saúde

Vinte e uma unidades sanitárias, entre as quais um hospital municipal, dois centros de referência e um centro cirúrgico materno infantil proporcionam assistência médica aos mais de 30 mil munícipes, de acordo com o Censo de 2014. O maior constrangimento do sector está nos recursos humanos, pelo que precisam de mais nove médicos de diferentes especialidades, designadamente pediatria, genecologia e obstetrícia, medicina interna, cirurgia, e 30 enfermeiros. Quanto às patologias mais frequentes na região são a malária, doenças respiratórias, diarreicas, febre tifoide e esquistossomose. A cegueira dos rios também figura entre as enfermidades que apoquentam uma franja da população.

Pólo turístico

É actualmente o município com maior potencial turístico de Luanda pelo facto de ter o Parque Nacional da Quiçama, o Pólo Turístico do Cabo Ledo e o Santuário da Muxima. Os diferentes projectos turísticos que foram arquitectados não foram implementados devido à crise.

Projectos previstos no OGE 2019

O Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2019, substituído pelo que foi ontem aprovado na generalidade, prévia a dotação de mil milhão, 426 milhões, 418 mil e 412 Kwanzas. Com este montante previa-se a construção do Centro de Captação e Tratamento de Água da Muxima, de uma nova sede para a construção e apetrechamento da Administração Municipal da Quiçama, de um posto de Polícia e de um campo polidesportivo na Quiçama. O orçamento previa ainda a construção e apetrechamento das administrações comunais Demba Chio, Cabo Ledo, Mumbondo e Quixinge. A extensão da rede de energia eléctrica da nova urbanização da Quiçama também está orçamentada.

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