Um pouco sem saída

Duas notícias de rajada. Num dia, uma delas dizia que o Kwanza se tinha depreciado em cinquenta por cento (acumulados) em relação ao dólar; a outra avançava que uma delegação norte-americana, da Reserva Federal, vem a Angola para avaliar o regresso do dólar, ou seja, as relações da nossa banca com bancos correspondentes estrangeiros, nomeadamente norte-americanos. A primeira notícia é uma desgraça, que diz, para começar, que, ou poupamos tudo e como pudermos, ou este ano o Natal será bem pior que o passado, já que, a bem da verdade, não temos nem economia produtiva e nem serviços que alavanquem a nossa moeda. Esta queda seria excelente se tivéssemos o que exportar e a nossa moeda fosse convertível, mas estamos mesmo a descer a pique… que saudades do “câmbio de dez”… Por outro lado, alguns bancários e banqueiros angolanos, se a luta pela moralização for mesmo séria e, por favor, generalizada, bem que devem começar a fazer visitas de cortesia aos tribunais e cadeias para conhecerem os cantos das casas. Eu só falei, mas cá entre nós, também não acredito. A segunda notícia pode parecer animadora, mas parece apenas, porque os nossos bancos, como se sabe, estão dependentes exactamente da actividade cambial para se parecerem com bancos, tirando dois ou três. E esta actividade cambial depende do petróleo e também da dívida do Estado. Depois disso, muito poucos servem para mais alguma coisa. Tomara que os americanos não se apercebam da nossa economia… estagnada. E que ninguém lhes diga que o nosso dinheiro vem do turismo… cruzes, figas canhotas!

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