vice-presidente deixa esperança ao povo da Quiçama

vice-presidente deixa esperança ao povo da Quiçama

Em declaração à imprensa no fim da sua visita de dois dias ao município da Quiçama, ontem, o vice-presidente da República, Bornito de Sousa, referiu ter conhecimento da situação precária em que vivem aquelas comunidades. A visita ao maior município da província de Luanda, apesar da proximidade com a capital, constatou várias situações de vulnerabilidade, nomeamente nas comunas de Demba-Chio, Quixinje e Mumbondo, localizadas no Leste do territótio. “Pudemos ouvir o grito de socorro das crianças, dos jovens, das mulheres, das populações, de uma maneira geral, destas comunas”, disse o vice-presidente.

Segundo o governante, registou, no quadro desta visita, um contraste entre várias situações. Por um lado, um grito de socorro da população, a dizer que precisa de estradas, de escolas, de atenção aos hospitais, etc., mas, por outro lado, também um rosto de alegria, com canções que os receberam e pediram para transmitir ao Presidente da República, João Lourenço, as suas ânsias. “Nós estamos acompanhados pelo o senhor governador provincial e pelo administrador do município e pudemos constatar que há algumas soluções que se podem encontrar a curto prazo”, continuou Bornito de Sousa. A questão fundamental por ele constatada, no entanto, está relacionada com a rede de estradas, daí que se lhe deva dirigir a atenção principal,porque a partir dela podem ser resolvidas as outras questões.

Solução a curto e médio prazo

O vice-PR disse que, a curto prazo, crê que se pode resolver o problema da ligação para Quixinje, através do Dondo (Cuanza-Norte) porque o troço é curto e será possível dar-lhe uma solução imediata. Sobre a falta de electricidade, até para bombear água, a instalação de energia solar pode ajudar, já que a maior parte das comunidades vive próximo a rios. A médio prazo, considerou que uma estrada importante, a EN110, poderá ajudar também a resolver os problema da Quiçama. O responsável reconheceu que naquelas comunas há um grande potencial turístico, agrícola e mineral. Se sacrificarmos, das dez mil casas que às vezes construímos no centro da cidade de Luanda, se sacrificássemos só umas quinhentas casas, se calhar estaríamos rapidamente a resolver os problemas de habitação, de água, com energia solar, etc., exemplificou Bornito de Sousa.

Auscultação das comunidades

No Conselho de Auscultação das Comunidades que dirigiu, segundo o vice-presidente, o objectivo foi ouvir a população, que apresentou situações relacionadas com um pouco de tudo, mas principalmente a rede de estradas e o problema das escolas, particularmente a insuficiência de professores. Nesta auscultação foram-lhe apresentados o Plano Director Municipal da Quiçama, o Plano do Pólo de Desenvolvimento Turístico de Cabo- Ledo e o Plano de Requalificação do Santuário da Muxima. Por outro lado, o administrador municipal da Quiçama, Vicente Francisco Soares, confirmou que a rede rodoviária do município é bastante deficitária e que tem apenas três estradas asfaltadas, sendo que, assim, os funcionários da Administração enfrentam muitas dificuldades para manter o contacto com a população no dia a dia.

O município tem terras férteis e aráveis, mas, infelizmente, não pode delas tirar proveito, “pelo facto grande parte delas estar dentro dos limites do parque nacional da Quiçama, adiantou. Já sobre as pescas, tendo em conta o potencial hídrico, há bastante actividade ao longo de toda a costa. “De recursos minerais, temos o petróleo, os inertes, rochas ornamentais e o sal gema”, continuou. Quatro unidades sanitárias do município não funcionam por falta de médicos, havendo um hospital municipal e postos de saúde em cada comuna. A Quiçama é potencialmente turística, com igreja da Muxima como cartão postal.

A voz do soba

O soba grande da Quiçama, Paulo Quiculo, disse também que a população enfrenta problemas de transporte e das vias de acesso, que se encontram altamente degradadas com buracos e precipícios, sendo que o asfalto termina na vila da Muxima. Nos postos médicos existentes faltam técnicos e medicamentos, além de ambulâncias, o que obriga a que muitas vezes os doentes em estado grave sejam levados em motorizadas e muitos acabam por morrer no caminho. No seu último dia de trabalho na Quiçama, o vice-presidente visitou a central térmica com capacidade de 2.500 KVA, o Hospital Municipal da Muxima, o sistema de tratamento e captação de água, a comuna de Cabo Ledo e o Parque Nacional da Quiçama.