“Olívio (condenado a 24 anos de prisão) é frio e não chorou pelo assassinato da mulher”, diz criminalista

O criminalista Fernando Júnior, chefe do Departamento de Crime Organizado do Serviço de Investigação Criminal, ouvido na condição de declarante no processo em que o cidadão Olívio de Sousa é acusado de ter assassinado a esposa (a advogada Carolina de Sousa), disse que o réu é uma pessoa muito fria e em nenhum momento chorou pela morte da mulher

Tribunal, antes de condenar o réu Olívio de Sousa a 24 anos de prisão,  ouviu, no terceiro dia de audiências em julgamento, o declarante Fernando Júnior, por ter sido quem liderou as investigações sobre o desaparecimento (que depois veio a confirmar-se em morte) da advogada Carolina de Sousa. O criminalista foi constituído declarante à última da hora, por promoção do Ministério Público e do advogado assistente, para ajudar a aclarar os factos.

Durante a sua audição, voltou a referenciar a frieza de Olívio, alegando que na altura em que o SIC descobriu que não se tratava de um desaparecimento e sim de um assassinato, o réu nem sequer chorou. Aliás, “em nenhum momento Olívio chorou, pelo contrário, quem chorou fui eu”, disse o criminalista.

Na penúltima audiência, a forma fria e com os sinais de falta de remorsos com que o contabilista e pastor Olívio Raúl Miguel de Sousa, de 28 anos, respondia às perguntas feitas pela juíza da causa, D’Jolime Bragança Augusto, e pelo advogado assistente, Benja Satula, durante a acareação, fez com que muita gente que foi assistir ao julgamento abandonasse a sala de audiências.

É esta frieza que Olívio sempre mostrou, desde que começaram as investigações pelo SIC, uma vez que, segundo Fernando Júnior, ele mostrava sempre álibis que dificultavam o trabalho dos peritos. As investigações que começaram num Sábado só terminaram numa Segunda-feira, às 16h, com a descoberta do cadáver. Antes mesmo de mostrar o cadáver da mulher, Olívio insistia na ideia do desaparecimento, de que tinha deixado a mulher na paragem de táxis. Quando o investigador pediu o telefone dele e viu mensagens que mostravam uma relação conturbada entre o casal, perguntado sobre isso, o cidadão negou e disse que a relação estava boa.

“Ele não chegou a confessar o crime. Começamos também a investigar os extratos dos dois telefones (dele e da esposa) que não batiam certo. Ele foi sempre desvirtuando as informações, chegou, inclusive, a dizer que a esposa tinha feito uma grande defesa a um cliente, ganhou muito dinheiro e que desconfiava que seria isso”, disse o criminalista.

Histórias atrás de histórias

Outra história inventada por Olívio para dificultar as investigações foi que a esposa tinha o caso de um indivíduo que a ameaçou de morte, por causa de um terreno. Dada a experiência neste tipo de casos, o investigador disse que não acreditava nas história de Olívio, mas mostrava estar a dar-lhe ouvidos – o que fez com que ele alimentasse mais e mais histórias.

Inventou também a história de que teria ido comprar peças de carro, numa loja na Via Expressa, para a viatura da mulher, que estava com problemas nos travões. Os investigadores chegaram a deslocar-se até à loja e o comerciante não confirmou ter-lhe vendido qualquer peça.

Aquela situação denunciou Olívio, bem como as câmaras de segurança de uma discoteca próximo de sua casa que não confirmaram a sua saída com a esposa até à paragem de táxis, além dos extratos e mensagens telefónicas.

Quando estava no carro com o investigador, este perguntou: “o que fizeste, Olívio? Podes contar a verdade que eu vou proteger-te”. Olívio baixou a cabeça e respondeu “fui traído, por isso fiz isso”. Foi assim que decidiu mostrar o local onde depositou o corpo da mulher e o investigador chamou os colegas para os devidos procedimentos, bem como os bombeiros.

O declarante Fernando Júnior, criminalista, é casado, comoveu-se com a situação e chegou a deitar algumas lágrimas, mas Olívio sempre se mostrou frio. Após ter sido ouvido Fernando Júnior, a juíza perguntou a Olívio se tinha algo a dizer, tendo este respondido que mantinha as respostas que constam nos autos, de que foi ele quem confessou aos agentes o crime.

Perguntado se o declarante estava a mentir, Olívio disse “prefiro não me pronunciar”. Fernando, ante esta reacção de Olívio, mexeu a cabeça de um lado para o outro, em jeito de negação e/ou lamentação. 

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