“Mataste duas pessoas, Olívio, ainda assim, perdoo-te”

Olívio Raúl Miguel de Sousa, de 28 anos, o jovem que matou a esposa, a advogada Carolina Sousa, e a colocou na fossa da casa do casal, no Zango III, foi condenado à pena máxima (24 anos de prisão). A mãe da vítima revelou no último dia de julgamento que a avó de Carolina perdeu a vida ao saber da morte da neta, contudo, mesmo assim, perdoa o genro.

 Chegou ao fim, no Tribunal Provincial de Luanda, o julgamento de Olívio de Sousa. Este caso conheceu a sentença numa brevidade fora do habitual, pois foram precisas apenas 4 sessões de audiência. Num dia em que se pensava que o tribunal iria apenas ver as alegações finais, a leitura e discussão dos quesitos, o julgamento de Sexta-feira, 07, foi também para ditar a sentença. Olívio vai passar os próximos 24 anos a ver o “sol nascer aos quadradinhos”, porque ficou provado para o tribunal de primeira instância que foi ele quem assassinou a advogada Carolina Sousa, a mulher, com quem estava casado. Deu-lhe com um bloco de cimento na cabeça, que a deixou inconsciente, cinco golpes de faca e colocou-a na fossa da casa em que viviam. O tribunal chegou ainda à conclusão de que o réu quis matar a vítima, pois os dois primeiros golpes com o bloco foram dados quando ela estava de costas. Foi um crime premeditado, houve intenções claras do réu de desviar as atenções dos investigadores, bem como a sua participação no crime. “Vai o réu condenado a 24 anos de prisão e, face aos prejuízos causados à família, a pagar 15 milhões de Kwanzas de indeminização e 150 mil Kz de taxa de justiça”. Leu a sentença a juíza D’Jolime Bragança Augusto. “Perdoo-te, apesar de tudo”. Na audiência em que Olívio conheceu a sua sentença, a juíza da causa ordenou ao réu que se virasse para o público e proferisse algumas palavras à família da vítima, com destaque para a mãe (Dona Maria) e a irmã (Micaela Barros). Olívio pediu desculpas a família e à nação angolana, disse que sente muito e pediu que lhe perdoassem. A mãe de Carolina disse que não perdeu apenas a filha, pois a sua mãe (que estava hospitalisada havia algum tempo) acabou também por perder a vida ao saber do que tinha acontecido com sua neta. “A avó Zita morreu depois de tomar conhecimento do que aconteceu com a Carol e tu não sabias disso. Levaste duas vítimas na minha família, mas continuo a reiteirar que te perdoo. Peço desculpas aos meus familiares, sei que não estão muito bem com esse meu perdão, mas eu lhe perdoo. Olívio, receba o meu perdão [de coração] em nome de Jesus”, disse a mãe, que voltou a verter lágrimas. A irmã, de forma resumida, fez das palavras da mãe as suas. Esperava-se que Olívio, neste situação, deitasse algumas lágrimas, mas os seus olhos mantiveram-se secos. Negação não o levou a nada. Apesar de ter negado que desferiu dois golpes com um bloco de cimento na cabeça da sua mulher, alegando ter sido “apenas” um golpe, bem como não ter desferido sequer qualquer golpe com faca, como consta nos autos, ficou provado o contrário. Negou ainda ter colocado soda cáustica na fossa, após depositar o corpo de Carolina, bem como ter colocado por cima desta uma madeira de forma a evitar que viesse à tona, mas ficou provado o contrário. As causas da morte, segundo o que consta da autópsia, são asfixia mecânica, penetração de líquidos na mucosa e afogamento, o que prova que Carolina foi posta na fossa ainda em vida. Ficou provado que Olívio cometeu os crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Importa frisar que, depois de ter matado a mulher, Olívio, no dia seguinte, ainda participou no culto na igreja. Daí, regressou a casa para engendrar o álibi perfeito para o seu crime, começando por pegar numa bolsa, telefone e blusa da esposa, apanhado um táxi e colocado estes bens na passagem aérea dos “Congolenses”, na Estrada de Catete. Ligou para o escritório da mulher perguntando por ela, bem como para a família da esposa. Participou o falso desaparecimento da mulher à Polícia, em companhia da família da vítima e participou, inclusive, em correntes de orações a favor do aparecimento de Carolina. Cinco dias depois, os agentes do Serviço de Investigação Criminal descobriram a farsa, com o suporte de imagens de vigilância, bem como pela localização do telefone do réu, e, depois, tudo sustentado com as suas próprias declarações.

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