Salvar vidas com processo de tratamento de água caseiro

O projecto “Minha água, minha vida”, que através de filtros caseiros transforma água imprópria para consumo em potável, já beneficiou 40 famílias carentes de Luanda e Bengo. Acabar com a transmissão de doenças causadas por água imprópria é o objectivo dos seus mentores

texto de Milton Manaça
fotos de Cedidas & Virgílio Pinto

A experiência foi feita por dois angolanos com água retirada dos charcos, cacimbas ou lagoas, em alguns casos contendo larvas, cor e outros detritos vistos a olho nú. Ambos não reagiram ao se depararem com crianças da periferia de Luanda e do Bengo a consumirem água colorida tirada directamente de valas.

Do episódio desolador testemunhado por António Quilala, engenheiro químico, e Yonara Freitas, engenheira de petróleos, surgiu a ideia da criação do biofiltro. Uma tecnologia caseira que funciona como uma estação de tratamento de água em miniatura, com processo de filtração natural.

A estrutura feita de betão armado visa, essencialmente, retirar a cor, o cheiro e outros elementos nocivos através de filtros de areia, tornando-a em água potável através de mecanismos físicos e bactereológicos.

Solução para zonas carentes Para além do biofiltro estar isento de qualquer produto químico, a sua purificação não carece de uso de energia, sendo completamente adaptável nas zonas do país em que não existe electricidade.

Foi, aliás, pensando nas zonas carentes e em pessoas com dificuldade de acesso à água potável se fez o biofiltro.

Para além de não necessitar de electricidade e de bomba de pressão para trabalhar, este meio tem ainda como vantagem em relação aos outros filtros de água, a sua durabilidade (em função do material de fabrico) e a facilidade de manutenção que pode ser feita por qualquer integrante da família.

“O usuário do biofiltro tornase independente porque não vai precisar de nós para fazer a manutenção”, garantem os seus promotores .

Os filtros feitos pelo projecto que passou a ser denominado “Minha água, minha vida”, tem a capacidade de purificar 30 litros de água por hora. Mais de 40 famílias beneficiadas.

O biofiltro foi criado há dois anos e, neste período, já beneficiou 40 famílias de algumas zo- Os dois engenheiros são proprietários de um laboratório de controlo de qualidade registado pelo Instituto Angolano de Acreditação (IAAC) que presta formação a vários jovens do ramo petroquímico.

Para lá acorrerem vários jovens, alguns já licenciados, mas que, pela insuficiência de práticas nas universidades, recorrem a este laboratório para aperfeiçoarem e consolidarem os seus conhecimentos.

É o caso do jovem Paulo Lisboa, engenheiro de petróleos que Kilamba e Sequele também usam Nos meses passados, em que a Empresa Pública de Água de Luanda (EPAL) fornecia água turva aos consumidores, muitas famílias das centralidades do Kilamba e Sequele adquiram o biofiltro para purificarem a sua água.

“Ajudamos esses moradores a consumir água potável no momento em que a situação estava crítica. Comprovou-se que a água tem qualidade e as pessoas que adquiriram continuam a usá-lo”, disse, Yonara Freitas.

Os criadores do biofiltro, garantem que, no momento em que nas torneiras jorrava água turva, receberam também encomendas de pessoas residentes no centro da cidade, o que os levou a concluir que o seu biofiltro pode ser útil para todos.

“Nós pensamos em construir um filtro durável que se adapte a qualquer realidade das nossas comunidades e sem uso de produtos químicos”, acrescentou António Quilala. nas periféricas de Luanda e do município do Dande, na província do Bengo, que receberam gratuitamente os meios de purificação. Para a feitura de cada biofiltro, são gastos em média 16 mil e 500 kz.

Ainda assim, os jovens engenheiros estão dispostos a vender pelo mesmo valor caso haja alguém interessado em encomendar para ajudar famílias em zonas em que o consumo da água de cacimbas, charcos e lagoas ainda é uma realidade. António Quilala e Yonara Freitas manifestam a intenção de colaborar com as autoridades para que as populações tenham acesso a meios de purificação de água a baixo custo, pois, contam nas pesquisas que fizeram apenas em Luanda e Bengo, são várias as pessoas que ainda consomem água imprópria, causa de inúmeras patologias no país. “No Bengo, por exemplo, encontramos uma localidade do Cambondo, no Dande, em que é comum as pessoas sofrerem de doenças diarreicas, infecção urinária e doenças de pele como a sarna”, disse António Quilala.

Os dois engenheiros são proprietários de um laboratório de controlo de qualidade registado pelo Instituto Angolano de Acreditação (IAAC) que presta formação a vários jovens do ramo petroquímico.

Para lá acorrerem vários jovens, alguns já licenciados, mas que, pela insuficiência de práticas nas universidades, recorrem a este laboratório para aperfeiçoarem e consolidarem os seus conhecimentos.

É o caso do jovem Paulo Lisboa, engenheiro de petróleos que durante o período de formação disse não ter tido todas as ferramentas práticas.

“Por falta de alguns equipamentos só tive a parte teórica, vim aperfeiçoar a prática”. Já Yanael Jatare está fazer a fazer o curso médio de petroquímica e pretende especializar-se em fluidos de perfuração, formação esta que está a solidificar neste laboratório.

Filipe Cardoso, um dos formadores, diz que os engenheiros que acorrem ao laboratório para fazerem estágios apresentam um conhecimento baixo, muito baixo… A criação deste laboratório tem como finalidade aproximar os estudantes da realidade que encontrarão no mercado de emprego.

“Aqui ele têm os equipamentos que vão encontrar no local de emprego e lhes permitirão abandonar a componente teórica. Foi neste laboratório que se fizeram as análises da água do biofiltro.

Todavia, os dois jovens dizem estar disponíveis a submeter a sua pesquisa a outras certificações, caso venham a ser solicitados. Docentes clamam pela inclusão das línguas nacionais no ensino.

A inclusão de programas de línguas nacionais no processo de ensino e aprendizagem do país constitui factor decisivo para facilitar a comunicação com os povos das zonas onde não se fala o português fluentemente, defendem especialistas do sector. Este tema dominou a apresentação da Proposta de Lei da Política Curricular que reuniu centenas de professores no último Sábado na cidade do Lubango, província da Huíla. Para eles, a materialização desse desiderato passa, em primeiro lugar, pela inclusão do programa de línguas nacionais na referida proposta de Lei.

Professor de língua nacional Nhaneka, Manuel Gomes, em declarações à Angop, apontou a falta de valorização das línguas nacionais como uma das insuficiências/ falhas do documento por não conter em nenhum dos seus artigos propostas relacionadas com esta temática.

Para ele é preciso que os mentores dessa nova reforma pensem na inclusão das línguas nacionais, para facilitar o processo de ensino e aprendizagem nas zonas onde não se fala o português.

Exemplificou que se um professor implementar um teorema de língua portuguesa nas comunidades rurais o aluno não vai compreender, mas se o traduzir para a sua língua materna, responderá de imediato.

Por sua vez, o secretário do Sindicato Nacional dos Professores (Sinprof) na Huíla, João Francisco, afirmou que se o Ministério da Educação pretende evoluir para um sistema de educação inclusivo, deve antes fazer uma apresentação da Lei e, posteriormente, buscar contribuições necessárias que ajudem a melhorar o sistema.

Segundo ele, isso permitirá que as pessoas tenham um espaço para poderem ler, analisar convenientemente e emitir a sua opinião, mas a rapidez com que se quer colher subsídios, sem mesmo que os eventuais contribuidores tomem contacto real com a proposta, pode ferir o projecto.

 

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