Congresso do Cacimbo

É extraordinário, mas é de viragem, é de busca de um futuro ainda incerto, que será provado nas autarquias do próximo ano e nas gerais de 2022. O VII Congresso Extraordinário do MPLA, a realizar-se no fim desta semana, é muito mais do que um mero congresso extraordinário para alargamento do Comité Central do partido para melhor funcionamento. É o congresso em que o parti- do ganhará um novo rosto: o de João Lourenço, que colocará na sua estrutura máxima novos nomes e diluirá, pelo menos em número de votos, os da “velha-guarda”. Depois deste congresso acabar-se- ão as desculpas, os entraves, os bloqueios. Depois deste congresso, a luta contra a corrupção, de João Lourenço, ganhará novo fôlego e mais gente ligada ao partido poderá cair em desgraça. É necessário, para se manter o partido ganhador. Neste caminho o regresso é já quase impossível. Mas, se não tiver hostilidade no congresso, isso não significa que o presidente não a venha a ter no futuro, no seio do seu próprio partido. A única forma de a evitar é alinhar o discurso político da moralização com a satisfação material do povo, que precisa de empregos, de comida, de futuro, muito mais do que ver algumas pessoas a serem presas. Este é o maior desafio de João Lourenço, é para esta luta que ele precisa, incondicionalmente, do apoio do congresso, do partido. E tem de fazer por o merecer, visto que está à vista que o mero apelo à coesão interna não é suficiente. O frio do Cacimbo costuma ser bom para arrumar ideias, vamos ver o que sai do dia 15 de Junho, mas, no lugar de João Lourenço, se não houver “contrariedades”, preocupar-me-ia. Há silêncios que dizem muito, sobre- tudo numa época de crise económica como a que estamos a viver.

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