Falcão: Corrupção em Angola mantém-se “extremamente” alta

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

O homem forte de Benguela recebeu, em audiência, o embaixador da República da Namíbia em Angola, Patrick Nandago, a quem, de entre outros assuntos, deu nota das acções empreendidas pelo Executivo de João Lourenço concernentes ao combate à corrupção, mas esclareceu que as mesmas não visam perseguir “pessoas”.

O governador de Benguela acentua que o objectivo da luta contra a corrupção é o de reforçar o Estado, no sentido de se ter os instrumentos necessários para coibir determinadas acções e considera ainda “extremamente” alto o nível de corrupção no país, não obstante as medidas que se têm sido implementadas pelo Executivo Angolano. “Ainda há muito por fazer”, referiu, lembrando que estão a ser desenvolvidas acções para recuperar aquilo que foi tirado ilicitamente do Estado.

“Não é um processo fácil, mas nós vamos levá-lo com a coragem que for necessária”, disse. Nessa luta contra a corrupção, o Estado não vai ceder à pressão seja ela de quem for. Segundo disse, Angola tem recursos suficientes para se desenvolver, sendo, por isso, necessário aplicá-los convenientemente, de modo a não beneficiar apenas pessoas a quem chama de “egocêntricas e invejosas”. “Não é uma batalha contra pessoas, é uma batalha a bem de Angola e do povo”, esclareceu o governante, que reconhece que os índices de corrupção em Angola ultrapassaram tudo que era “imaginável”: “Nós próprios, que estamos no exercício do poder, surpreendemo-nos todos os dias com os números.

Esta é a característica de uma guerra, podemos conhecer o adversário, mas, muitas vezes, não conhecemos a sua estratégia ou a sua táctica”, ilustrou. O chefe do Executivo em Benguela está convencido de que haverá no país vizinho muitos recursos que terão sido desviados de Angola e espera que os dois governos cooperem neste sentido, de maneira a recuperá-los. Num outro ângulo da sua abordagem, Rui Falcão reconheceu o potencial da Namíbia e enalteceu o de Angola e credita que Angola e Namíbia vão tirar bom proveito dessas capacidades. “Aquilo que um tem o outro não”. O estreitamento das relações, considera o governante, permitirá o crescimento dos dois países da África subsahariana: “Somos, na base, um só povo”. Por sua vez, o embaixador da Namíbia, Patrick Nandago, manifestou o interesse de estreitar relações com Angola no domínio do comércio, com vantagens mútuas entre os dois países, reprovando, entretanto, o facto de se jorrar milhões de dólares na compra de produtos à Europa e a outros continentes quando, muitas vezes, os produtos de que os africanos precisam estão mais próximos do que se imagina.