Fotógrafa angolana expõe no “Catchupa Factory”

A fotógrafa angolana Indira Mateta participa na IV edição da residência artística “Catchupa Factory”, que reúne oito fotógrafos de Cabo Verde e Moçambique, escolhidos entre 42 candidatos ao evento dirigido a novos fotógrafos e artistas dos Países Africanos de Língua Ofi cial Portuguesa (PALOP)

O evento que decorre em Mindelo, Cabo Verde, até 20 do corrente mês, vai permitir aos par- ticipantes produzir conteúdos que estarão em exposição para o grande público, sendo posterior- mente avaliados por um júri que atribuirá prémios aos três melhores trabalhos, cujos autores receberão uma formação formal em fotografia. Indira Mateta, a fotógrafa Angolana propõem-se em retratar o envolvimento multifacetado da mulher na sociedade. O “Catchupa Factory” é um projecto de criação artística que promove um olhar diferenciado sobre a fotografia no contexto dos PALOP, trazendo uma visão de fora para dentro de Cabo Verde, a fim de ajudar os criadores cabo-verdianos a ampliar os seus olhares sobre aquilo que é a fotografia .

A residência artística, um programa anual de incentivo à criação, organizado pela associação privada “Olho de Gente“, conta com o apoio do governo cabo- verdiano através do Ministério da Cultura e Indústrias Criativas e da portuguesa Fundação Calouste Gulbenkian. Para o responsável do projecto, Diogo Bento, que falou em conferência de imprensa, uma das suas maiores preocupações é a de ter participantes com níveis diferentes em termos de experiência, como também de nacionalidade, de género e de abordagem. Por sua vez, pretende-se, de acordo com o interlocutor, que o grupo funcione como “um todo” e que aprendam uns com os outros, tanto na parte didática, como em actividades paralelas previstas.

Intercâmbio

Este intercâmbio foi também sublinhado pela participante angolana Indira Mateta, que se sente “muito feliz” com esta possibilidade de conviver com colegas de outros níveis e de outros países. Reforça a fotógrafa, “autodi- dacta em assuntos fotográficos”, que é uma oportunidade fantástica, ainda mais por ser em Cabo Verde, país pelo qual tem um carinho especial. Igualmente, “fruto” do auto- didatismo, Odair Monteiro, que vem da diáspora cabo-verdiana em Portugal, assegurou ser um “enorme prazer e ao mesmo tempo enorme desafio” participar do Catchupa Factory. “O Catchupa Factory vai ser uma rampa de lançamento para o que poderei fazer e na forma de fazer fotografia”, sublinhou.

Já a formadora Michelle Louki- dis, que vem da África do Sul para participar mais uma vez no programa, enalteceu o facto de a iniciativa juntar fotógrafos de diversas partes do mundo e de “fortalecer” a fotografia africana. Neste ano, o “Catchupa Factory” conta com o financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, garantido para mais três edições futuras, que permitiu aumentar a duração da residência artística para mais uma semana, além das duas que têm sido habituais nos anos anteriores. Esta terceira semana vai ser dedicada, quase que exclusivamente, à parte da exposição final, prevista para 20 de Junho no Centro Cultural do Mindelo, que terá o financiamento do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, outros dos parceiros angariados para o programa de 2019.

Os resultados

A divulgação dos resultados está prevista para 02 de Abril, em que serão conhecidos os escolhi- dos pelo júri, constituído por Diogo Bento e Rita Raínho da Associação Olho-de-Gente (AOJE), a formadora Michelle Loukidis, da África do Sul, e ainda Paula Nas- cimento, de Angola, e John Fleetwood (África do Sul), que são os curadores convidados.