Taxistas de Cacuaco “abortam” greve

Dentro de 60 dias a tarifa do trajecto Benfica-desvio do Zango e desvio de Zango-Cacuaco será oficialmente de 300 Kwanzas. Entretanto, a Associação dos taxistas afirma que o valor poderá sofrer nova alteração, caso seja registada nova subida no preço dos combustíveis

Os taxistas que fazem a rota Benfica-Zango-Cacuaco filiados na Associação Nova Aliança dos Taxistas de Angola (ANATA) suspenderam a greve que estava agendada para ter início ontem, afirmou a OPAÍS o taxista Luís António Mingas, presidente da Staff 7 Chaves. De acordo com o taxista, a decisão foi tomada na última Sexta-feira, 7, após uma reunião entre os representantes da ANATA e responsáveis do Departamento de Transporte, Tráfego e Mobilidade Urbana do Governo Provincial de Luanda (GPL), sob observação de um enviado dos serviços de apoio ao Presidente da República.

“Assinamos um memorando de entendimento resultante do processo de negociação que estava em curso há dois meses”, frisou. De realçar que na base dos protestos dos condutores dos “azuis e branco” estão as denúncias de extorsão de dinheiro por parte de efectivos da Polícia Económica, órgão afecto ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), no município de Cacuaco, assunto abordado em primeira mão por OPAÍS.

Segundo os queixosos, os agentes da Ordem interpelavam-nos frequentemente alegando que cobravam à margem da lei, ao “partirem” em dois o trajecto de mais de 60 quilómetros da Via Expressa Fidel de Castro , isto é, do Benfica ao desvio do Zango e do desvio de Zango a Cacuaco, cobrando a tarifa de 150 kwanzas por cada, enquanto a tarifa oficial definida pelo GPL é de 150 Kwanzas. Diariamente eram apreendidas, em média de 30 viaturas, cujos condutores desembolsavam entre 30 a 50 mil Kwanzas, sem direito a justificativo de pagamento, para as resgatar. Por esta razão, questionavam o destino das quantias alegadamente “extorquidas”.

Tarifa de 300 kwanzas será oficial

Luís Mingas afirma que estes constrangimentos serão ultrapassados porque foi também definido que dentro de 60 dias a cobrança da tarifa de 300 kwanzas pelo percurso (Benfica-desvio do Zango e desvio de Zango-Cacuaco) será oficial, ou seja, estabelecido pelo próprio GPL. Todavia, alerta que caso venham a ser registados novos ajustes nos preços dos combustíveis, como se perspectiva, a ANATA não terá outra alternativa além de “mexer” na tabela em vigor. “Diariamente abastecemos os carros com 70 litros de gasolina, isto já é mais de 11 mil Kwanzas”, concluiu Luís Mingas.