Angola recebe 11 milhões de dólares de organização africana para investigação científica

O Centro de Serviços Científicos da África Austral para as Alterações Climáticas e Gestão Sustentável dos Solos (SASSCAL, na sigla inglesa) disponibilizou 11 milhões de dólares a Angola para desenvolver projectos de investigação científica, anunciou hoje o Governo angolano.O anúncio foi feito pela ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação angolana, Maria Bragança Sambo, que falava na abertura de um seminário, em Luanda, sobre financiamento de projetos SASSCAL II, tendo incentivado os pesquisadores do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação a candidatarem-se até 16 de Agosto deste ano.
“Os investigadores angolanos não podem perder esta oportunidade”, disse a governante, afirmando que as pequenas e médias empresas, inventores, instituições e associações que contribuam para a investigação científica e desenvolvimento tecnológico podem concorrer ao financiamento.
Para a segunda fase do projecto – na primeira fase, que decorreu de 2013 a 2018, a organização gastou 23 milhões de euros em projectos de pesquisa – foram também disponibilizados mais três milhões de euros para capacitar investigadores e melhorar infraestruturas de instituições.
O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação angolano, no âmbito da criação de centros de excelência, associou-se em 2009 à plataforma SASSCAL, da qual fazem parte Angola, África do Sul, Botsuana, Namíbia e Zâmbia, com o apoio da Alemanha.
Na primeira fase foram implementados 88 projectos de investigação científica na região, dos quais 13 em Angola.
O SASSCAL congrega mais de 70 instituições de investigação e tem cerca de 80 publicações científicas.
A primeira publicação da organização, intitulada “Climate Change and Adaptive Land Management in South África”, conta com 66 artigos científicos, sendo oito relacionados com Angola.
Na primeira fase, Angola beneficiou de 19 bolsas de estudo – dois doutoramentos, 12 mestrados e cinco licenciaturas, nas áreas de Engenharia e Geociência -, realizadas no país, na Alemanha, Botsuana, Espanha, Portugal e Zâmbia.
A ministra disse que, desde 2013, a Rede Meteorológica Nacional ganhou 18 estações meteorológicas automáticas, que estão sob responsabilidade do Instituto Nacional de Meteorologia (Inamet) angolano, e foram recuperadas, no âmbito do SASSCAL, 21 outras estações, localizadas na região sul de Angola (Namibe, Huíla e Cunene).
Com o financiamento do SASSCAL foram igualmente apetrechados laboratórios de algumas instituições viradas para investigação, bem como estabelecidos seis observatórios de biodiversidade em Cameia (província do Moxico), Bicuar (Huíla), Iona (Namibe), Cusseque (Bié), Caiundo (Cuando Cubango) e Tundavala (Huíla).

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