Asa Branca seguro, mas com queda de clientela

Os vendedores do Asa Branca, no cazenga, ouvidos pelo opaís dizem estar satisfeitos com a segurança no local, mas lamentam a fraca afluência ao local de clientes. problemas com os espaços para a venda dos produtos, por falta de bancadas, e o alto índice de criminalidade são já apenas passado

Hermegilda Faria, vendedora de produtos alimentares há mais de nove anos no mercado Asa Branca, no Cazenga, (Luanda), recorda sem nostalgia os momento difíceis que vivenciou no local. Diz que agora está tudo calmo e as coisas tendem a melhorar. Relaciona o reduzido fluxo de clientes com a crise que o país enfrenta. Apesar de nunca ter sofrido algum assalto, acompanhou algumas das colegas a terem de lidar com as consequências de tais acções desencadeadas por malfeitores. Alguns deles comandavam, num passado recente, o mercado. Agora, os marginais apanhados em flagrante delito neste recinto são entregues à administração, e esta, por sua vez, entrega- os à Polícia.

“Todavia, nem sempre os nossos valores são reembolsados. Os negócios também não andam como antigamente. A vida está cada mais difícil. Todos os dias somos obrigados a pagar 250 kwanzas para manter o lugar”, frisou. Essa opinião é partilhada por Margarida Paulo, comerciante de hortícolas há mais de 15 anos neste mercado. Disse a OPAÍS que actualmente o mercado não tem marginais e, por essa razão, os seus bens materiais passam a noite nos lugares onde são comercializados. “Não precisamos de desmontar a bancada ou pôr o negócio em “casas de processo”. Apenas forramos bem e no dia seguinte encontramos tal como deixamos. Ou seja, a fiscalização tem estado a fazer um bom trabalho, tanto de dia, como de noite”, detalhou. Quanto à venda, disse que, apesar de os dias não serem iguais, tem feito o bastante e com os lucros que ganha consegue suportar as despesas de casa e da escola dos seus filhos. “Compramos os produtos no mercado do 30 para revender aqui”, contou.

Sob gestão privada

Sob gestão privada Já Dina Mafuta, vendedora de peixe a grosso, tem poucos motivos de queixa, pois as suas vendas continuam em alta. No seu entender, a criminalidade reduziu drasticamente em função da estratégia de asseguramento implementada pela empresa encarregue da gestão do mercado. Optou por não falar apenas dos momentos bons que vive neste local em que trabalha desde 2011. “Só para que saibam, já vivemos uma realidade muito triste neste mercado. Tínhamos de dividir uma bancada por quatro pessoas”, frisou. Contou que muitos dos jovens que anteriormente se dedicavam à criminalidade hoje trabalham dignamente para sustentar as suas famílias. Segundo Maria Domingos, o mercado oferece segurança, tanto para os vendedores como para os clientes. Apesar de que muitas preferem guardar os negócios no mercado, ela prefere deixar em “casas de processos”. OPAÍS constatou que, apesar da organização, muitas vendedeiras abandonaram o mercado para comercializar os seus produtos à beira da estrada, junto ao lixo, colocando a sua vida e dos consumidores em risco. Entre estas vendedoras, estão as provenientes do antigo Rock Santeiro, do Catintom e do mercado do Bonga Bonga. Por seu lado, Maria Delfina, vendedora de vestidos de noiva há mais de 30 anos no mesmo mercado, diz que a situação no Asa Branca não era das melhores. Confessou que a uma dada altura sentiu-se agastada com as administrações do Cazenga e do mercado por nada fazerem para melhorar a situação. No entanto, nos últimos dois anos tudo melhorou consideravelmente.

Mercado já teve índice de criminalidade alta

Nelson Ventura, chefe do gabinete de supervisores do Mercado Asa Branca, contou que conseguiram alcançar êxitos no asseguramento trabalhando com jovens “caenches” e com a esquadra da Polícia ao lado. Essa organização juvenil ajudou a pôr fim à criminalidade que se registava diariamente. Para melhor facilitar quem ali procura os produtos, o mercado está dividido em naves. Tem a nave do comércio, beleza, área dos fardos, pescado a grosso, o quintalão e a área dos contentores. Existem também várias áreas de venda de telemóveis e acessórios. O responsável disse ainda que, para dar uma boa imagem ao mercado e conforto aos vendedores, mais de 160 funcionários, incluindo pessoal da limpeza, trabalham na empresa. Todavia, também recebem algumas queixas de clientes e vendedores provenientes da área de vestidos de noivas por questões de garantias, mas que acabam resolvendo amigavelmente. O mercado dispõe de três parques de estacionamento para viaturas. O cliente apenas paga um valor de 100 kwanzas a partir do momento que entra até à hora de fecho do mercado, isto é, às 17 h30 minutos. Este recinto também é assegurado.

Supervisão 24 horas por dia

Nelson Ventura garantiu que têm uma supervisão de 24 horas por dia e, por essa razão, algumas vendedoras deixam o negócio pernoitar no local. Para manter a segurança do mercado, alguns supervisores, com segurança armada e distribuídos em vários pontos da praça, coordenam os serviços no período nocturno. Passam a noite no local. “Nós temos câmaras de video- vigilância instaladas em todo o mercado e quando acontece qualquer roubo recorremos a elas. Isso ajuda a identificar os prevaricadores e a comprovar o que foi roubado. Posteriormente, a Administração faz o reembolso dos valores porque as senhoras pagam pela segurança”, garantiu. E acrescentou: “o nosso mercado alberga entre dois a três mil vendedores. Não é um número fixo porque está em constantes alterações. Nós somos uma empresa privada e estamos prestar este serviço aqui há um ano e meio e as pessoas já notaram algumas mudanças”.

Posto de saúde e um banco no mercado

O chefe de gabinete de supervisores do Mercado Asa Branca disse que criaram um posto médico para as vendedoras que de alguma forma estejam a passar mal e que as apóiam, em alguns casos, com a primeira medicação. A infra-estrutura atende diariamente cerca de 20 pessoas provenientes do mercado, sem contar com as que vivem nos arredores e de Viana, de acordo com a enfermeira em serviço, Jéssica João. Ela declarou, a OPAÍS, que a procura tem sido considerável e a maioria dos pacientes são senhoras que vendem no mercado e clientes. “Os pacientes que apresentam um quadro preocupante são encaminhados ao Hospital dos Cajueiros ou ao Centro Médico do Cariango, próximo ao mercado”, contou.

De acordo com enfermeira, a patologia mais detectada é a Malária, sendo que as senhoras e crianças são as que mais procuram esses serviços. O posto tem uma equipa de dois enfermeiros que trabalham no horário normal de expediente. As consultas gerais são grátis, sendo que análises rápidas de paludismo e curativos diários, bem como o teste de gravidez custam 500 kwanzas. Já para medir a atenção arterial e o peso o custo é de 100 kwanzas. As próprias vendedoras e clientes mostram-se satisfeitas com a evolução do mercado. O mercado conta com uma agência do BPC que visa, entre outros factores, permitir que os utentes do mercado realizem operações bancárias sem sair do recinto, evitando vários riscos.

 

error: Content is protected !!