Chernobyl e o proveito da história

Chernobyl, Ucrânia, na altura ainda uma República da União Soviética, mais propriamente na cidade Pripyat, Abril de 1986. Explosão na central nuclear, fuga enorme de partículas radioactivas que viajaram milhares de quilómetros pela Europa. Hoje, os ucranianos deram o nome de “zona morta” a essa área. Mas, trinta e três anos depois, como resultado de uma série televisiva ficcional, com base na história do acidente, Chernobyl é um destino turístico muito requisitado, apesar dos riscos. Alguém em Angola é capaz de pensar nisso? De aprender alguma coisa? Não se ganha turismo divulgando o rosto do Presidente da República, promovem-se locais e as suas histórias, a sua cultura, a sua gastronomia, mas sempre contando histórias, que atraiam as pessoas a lá ir. Alguém se lembra da série Shaka Zulu? Ficou a ser uma aldeia conhecida, até hoje visitada por turistas. João Lourenço viveu na Chissamba, havia lá um hospital, quando menino foi lá tratado? Como brincava naquela aldeia? Isso pode dar numa boa história sobre o Presidente e atrair pessoas ao local. Ganhando os moradores e o país. É preciso abrir, o turismo tem de ser democrático, não pode ser protagonizado apenas por “nós”. Eu vou a Amsterdão para ver a casa onde se escondeu a família de Anne Frank e ela escreveu o seu diário. Vou a Doha para ver o Museu de Arte Islâmica. Sim, tem de haver histórias. Poderíamos contar e recontar a história da construção do palácio de ferro, em Luanda, relacioná-la com a torre Eiffel, porque há pontos de ligação, mas o que fazemos nós? Falamos de paisagens (como se fosse exclusivo nosso) e, “tauas”, entre elas colocamos o rosto presidencial. Como já nos prometeram um novo fórum mundial do turismo para o próximo ano, por favor, até lá que se aprenda alguma coisa de jeito.