Degradação dos prédios “lotes” preocupa moradores

Para reverter a situação de perigo que vivem diariamente, os moradores dos lotes 20 e 21 do bairro do Prenda, em Luanda, procuram soluções paliativas. Os prédios estão em mau-estado de conservação e boa parte deles não tem corrimão – o que põe em perigo a vida de muitas crianças e adultos (estes quando em estado de embriaguez)

A nossa equipa de reportagem fez uma visita aos prédios dos lotes 20 e 21, do bairro do Prenda, em Luanda, para saber dos moradores o que os tem preocupado. No local, para além de ser apresentada a degradação dos edifícios como uma das maiores preocupações, a falta de corrimão não foi posta de lado, uma vez que tem vitimado muitos moradores. Há 20 anos que Conceição Calado, também conhecida por Tia São, vive num dos edifícios dos “Lotes”, neste caso no 20, e recorda que nos primeiros anos estavam cobertos de lixo e jovens tinham os edifícios como esconderijo depois de assaltos e outras maldades por si praticados nas redondezas. Foi necessário contribuírem para uma mega-campanha de limpeza e hoje têm o local com as mínimas condições de habitabilidade. De um tempo a esta parte, os moradores do lote 20 (edifício com 100 apartamentos) têm-se debatido com a questão da insegurança na estrutura do imóvel, que afecta tanto as crianças quanto os adultos (estes últimos em estado de embriaguez), dada a falta de corrimão.

Seis mortes já até ao momento

Conceição Calado afirmou que dos acidentes que presenciou, desde que habita no edifício, resultaram em seis mortes de adultos, “normalmente acontece quando o indivíduo está embriagado e, ao subir ou a descer do edifício, tropeça, por falta de corrimão”. Os moradores optaram por juntar contribuições para minimizar as questões de segurança do edifício, onde prevêem fechar os espaços críticos que facilitam a entrada de marginais, bem como manter mais iluminados a entrada e o interior do prédio. O presidente da Comissão de Moradores do Lote 21, José Borges Camilo, também apresentou questões como a estrutura do prédio, saneamento básico e a delinquência como as principais preocupações dos moradores. Pelo facto, recentemente foi eleita uma nova comissão de moradores que trabalha no sentido de ultrapassar os constrangimentos.

“Com alguma dificuldade, mas nós, moradores, estamos empenhados em melhorar a higiene no interior e no exterior do prédio. Também para melhorar o saneamento básico necessitamos de uma vala de drenagem”, disse José Camilo. O pagamento da energia eléctrica é feito de forma colectiva, ou seja, o edifício tem apenas um único contador, em que os técnicos da ENDE fazem a leitura e posteriormente um dos membros da comissão de moradores dirige- se às instalações da empresa de electricidade a fim de efectuar o pagamento. “Adoptamos um sistema de pagamento onde, mensalmente, cobramos por cada residência um valor que varia entre 750 a mil Kwanzas, em função da dimensão do apartamento”. Apesar de muitos moradores não estarem a contribuir, está a ser separado um valor para comprar materiais de construção com a finalidade de colocar um corrimão, levantar algumas paredes, chapiscar as escadas, pagar à empregada que cuida da limpeza do edifício e aos jovens que deitam o lixo diariamente. Como forma de controlar a delinquência que têm registado com frequência, a comissão de moradores elegeu um grupo de jovens do prédio para garantir a segurança à volta e no interior do edifício. Porque os jovens ficavam sentados ou em pé, na entrada, nas escadas e nos corredores a fumar e praticar os actos maldosos.

Duas mortes no lote 21

Assim como no lote 20, o 21 também tem registado acidentes de moradores por falta de segurança da infra-estrutura. Recentemente uma criança caiu do primeiro andar para o tecto de uma residência no ré-de-chão. “A mãe ia deitar o lixo e a menina foi à janela espreitar e caiu por cima de uma residência e por sorte não perdeu a vida”, conta. Outra criança não teve a mesma sorte. Enquanto brincava, tropeçou e bateu com a cabeça nas escadas, depois de três dias acabou por perder a vida numa das unidades sanitárias. Registaram também a morte de um jovem, que estava embriagado e entendeu sentar-se nas escadas no sentido de descasar, tendo adormecido e caído.

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