Falha humana

Mesmo com a lástima em que estão as nossas estradas, em todos os sentidos, do piso à sinalização e ao traçado, quando há acidentes, infelizmente muitos deles mortais, as autoridades não deixam de apontar para o factor humano, ou do comportamento humano entre as culpas. E se calhar têm razão, já que as nossas estradas exigem cuidados redobrados, qualquer tipo de negligência pode revelar-se fatal. De facto, como diz o povo, acidentes previnem-se. Há outras causas de morte em Angola que, de tanto sabermos da sua “anatomia”, as causas, os cuidados a ter, etc., como no caso da malária, em que tem de se começar a falar de causa humana também. Não apenas por se estender ou não um mosquiteiro, ou pela água que fica nos pratos dos vasos da varanda de casa. Temos de começar a falar da falha humana na gestão de políticas públicas. São demasiadas mortes para não se tomar uma atitude radical e inteligente que ponha fim, em definitivo, à mortandade. Outros países, incluindo vizinhos, não têm o nosso problema com a malária. Lá a inteligência, o interesse e o foco dos humanos funciona, aqui talvez não se queira. Há sim causas humanas a considerar também na base do morticínio de crianças, de angolanos, por doenças como a malária e a cólera que outros conseguiram ultrapassar.