Qualidades ‘humanas e artísticas’ enaltecidas no último adeus ao tenor Gomes Domingos

Qualidades ‘humanas e artísticas’ enaltecidas no último adeus ao tenor Gomes Domingos

Durante as exéquias testemunhadas por familiares, amigos, estudantes, fãs e vários agentes culturais, foram uma vez mais enaltecidas as qualidades humanas e artísticas do artista, naquele que foi o último adeus ao cantor. Formado em Música pelo Instituto Superior de Artes de Cuba, na companhia de outros talentos angolanos (Emanuel Mendes, Bruno Neto e Armando Zibungana), com os quais integrou o grupo os “Lyrikhus”, destacou-se pelo seu contributo na expansão da música lírica.

Esses feitos foram notáveis, quer enquanto vocalista dos Lyrikhus, e professor de música, quer no Complexo de Escolas de Arte (CEART), assim como no Instituto Superior de Artes (ISART), onde era igualmente docente. Por outro lado, as suas qualidades humanas foram descritas como uma pessoa simples, de trato fácil e estava sempre predisposto a ajudar quando se justificasse. Amante incondicional da música clássica, era pois um amante da cultura. A certeza de que já não será possível vê-lo e nem a cantar, é um facto que ainda está difícil de ser digerido, não só pela sua exuberância e qualidade vocal demonstrada, mas porque se perde um dos obreiros da música lírica angolana.

Notas de condolências

de várias partes continuam a inundar as redes sociais. Músicos, jornalistas, produtores, estudantes, colegas de formação em Cuba, políticos e outros admiradores, enaltecem o que foi a figura do “maestro” Gomes Domingos.

Testemunhos

Rosa Cruz e Silva (ex ministra da Cultura), Totó, Dodó Miranda, Ângela Ferrão, Celso Mambo, Gari Sinedima, Yuri Simão e Nelson Cantos (Nova Energia), Rúbio Praia (Compasso Luandense), Carlos de Jesus Vieira Lopes (FENACULT), entre outras figuras, testemunharam o último adeus ao tenor Gomes Domingos.

Trajectória

Gomes Domingos passou por todas as etapas enquanto corista, na igreja onde aprendeu música. Foi corista titular do coro embaixadores de Cristo, dirigido pelo músico Dodó Miranda, tendo tido, desde aí, aulas de canto e solfejo. Durante esse processo foi cada vez mais redescobrindo-se, quer em termos técnicos quer vocais. Seguiu na senda da aprendizagem, desta vez com o acompanhamento do mestre Massoxi MAX, que veio a tornar-se no grande mentor da sua vida artística.

Ele contava que, por causa dele, participou em muitos projectos e concursos como a Gala a Sexta-feira, em que conquistou o segundo lugar no ano 2000, “Chuva de Estrelas” (quarto lugar), “Festival da Canção de Luanda” (Melhor voz e segundo classificado no mesmo concurso), “Festival Internacional de Cuba “Lecuona em mi Memória (Quarto lugar), entre outros. Depois desse percurso, Gomes Domingos emigrou para Cuba com o fito de continuar a sua formação em música, onde se licenciara em Música, na especialidade de canto, tendo também sido considerado o tenor mais popular. Além de dedicar- se ao grupo os Lyrikhus, Gomes era docente do Instituto Superior de Artes. Até sempre, tenor Gomes Domingos. De salientar que o artista deixa viúva e duas filhas menores.