E se Obama se naturalizasse angolano?

No congresso do MPLA de amanhã serão eleitos militantes ao Comité Central, mas a caminhada de alguns deles até este momento não foi fácil, teve contestação dura. Está em causa, sobretudo, a sua militância, ou seja, o tempo de militância. E é justamente isso que eu acho que está a prejudicar os partidos angolanos, que querem militantes desde a creche até à direcção. Muitos dos que vão entrar amanhã eu não os quereria para nada, servem para pouco, tal como alguns que já lá estão. Nos outros partidos é igual. Esta lógica elege os que se sentam mais tempo no comité do bairro ou provincial e não os mais capazes. Exclui as boas “contratações”, gente que sabe fazer, que pensa, que tem ideias, mas que não tem disponibilidade para passar o tempo em reuniões de comités a dizer vivas, porque há os elegíveis por direito de militância, muito combativos nesta questão, que estão lá apenas para isso, porque não sabem fazer outra coisa, não têm outras competências. Algumas destas “inutilidades” estão no Governo, no central e nas províncias, apenas porque são militantes “antigos”, “bons camaradas”. O cartão é a sua profissão. Se Barack Obama adquirisse a nacionalidade angolana hoje, não entraria neste Comité Central (nem em qualquer estrutura de topo de outro partido), não iria para o Governo. Porquê? Porque não teria tempo de militância. O mesmo aconteceria com Francisca Van-Dunem, actual ministra da Justiça de Portugal, angolana por direito. O MPLA deveria dar o exemplo, refrescando- se com inteligências, com gente que sabe e quer fazer, independentemente de ter um cartão, essas pessoas comprometem-se antes de tudo com o país. Ao menos nisso, o desporto é um bom exemplo: quer-se os que ganhem, os bons. O retorno é a riqueza. Nesta mudança geracional de João Lourenço, que bom seria um conserto também, nalgumas mentalidades

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