Roma coroa “poeta e pai da independência angolana”

O poeta e pai da independência angolana, Agostinho Neto, será um dos quatro autores a ser homenageado durante o 13º Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas (AIL), que decorrerá em Roma, na Universidade Sapienza, entre os dias 20 e 24 de Julho de 2020, reunindo centenas de especialistas de todo o mundo

POR: António Quino

A decisão de homenagear Agostinho Neto, aliada à escolha da Sapienza como sede do 13º congresso da AIL em 2020, foi tomada por ocasião da Assembleia Geral do 12º Congresso, e pretende, depois dos congressos em Cabo Verde e em Macau, levar de volta à Europa onde se encontra o maior e mais representativo conjunto de pesquisadores no âmbito da língua, das literaturas e culturas de expressão portuguesa. A Sapienza, que é a segunda maior Universidade do mundo em termos de população estudantil, só superada pela Universidade Autónoma do México, e ocupa um lugar de destaque em todos os rankings internacionais, vai juntar pessoas vindas de vários países, no intuito de fortalecer a presença dos estudos lusófonos, não apenas na Itália, mas em toda a Europa.

A Comissão Executiva do congresso, liderada pelo Presidente da AIL, Roberto Vecchi (da Universidade de Bolonha), e do Secretáriogeral Vincenzo Russo (da Universidade de Milão), vai contar com a presença de Giorgio de Marchis (Universidade de Roma Tre). De acordo com o Director da Cátedra “Agostinho Neto” da Universidade Roma Tre, Professor Giorgio de Marchis, além dos brasileiros Sérgio Buarque de Hollanda e Murilo Mendes, do português Eduardo Lourenço e da moçambicana Bertina Lopes, o poeta angolano estará entre os autores a homenagear. “Integrando a Comissão Executiva do Congresso, é com muito prazer que posso informar que Agostinho Neto será um dos quatro autores homenageados nesta edição. Trata-se de figuras que tiveram e tem todas uma relação muito estreita com a cidade de Roma”, disse. Giorgio de Marchis acrescentou: “a decisão da Comissão Executiva, escolhendo a figura de Agostinho Neto, pretende homenagear um grande escritor, político e intelectual angolano, no cinquentenário do encontro em Roma com o Papa Paolo VI.

A existência nesta cidade da Cátedra ‘Agostinho Neto’ confirma, de resto, os profundos laços que ligam Roma à figura de Agostinho Neto”. Conforme o programa do evento, a homenagem acontecerá no quarto dia do congresso (23 de julho) e, como expectativa da organização, espera-se que a participação de especialistas angolanos seja ampla em termos quantitativos. “Não há dúvida que o será em termos qualitativos. Como Coordenador da Cátedra ‘Agostinho Neto’ da Universidade de Roma Tre, colaborarei com grande empenho na organização desta homenagem. Entretanto, reitero o convite aos angolanos para marcarem presença para que a homenagem a Agostinho Neto tenha o impacto esperado também em Angola”, afirmou Giorgio de Marchis a partir de Roma. Fundada em Poitiers, em 1984, pelo lusitanista R. A. Lawton (Universidade de Poitiers), a AIL tem por objecto, segundo os seus Estatutos, fomentar os estudos de língua, literatura e cultura dos países de língua portuguesa, organizar congressos e publicar as actas, preparar e publicar a revista Veredas, além de colaborar com instituições nacionais e internacionais. Com sede na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em Portugal, a AIL promove o encontro de culturas entre os países e povos falantes da língua portuguesa e explora a diversidade que ela encerra.

Cátedra em roma Tre

Em 2014, foi rubricado um acordo de cooperação entre a Fundação Dr. António Agostinho Neto (FAAN), a União dos Escritores Angolanos (UEA) e a Universidade Roma de Tre, que prevê o ensino da literatura e da cultura de Angola nos cursos do Departamento de Língua, Literatura e Cultura Estrangeira da referida universidade italiana. O acordo que permitiu a criação da Cátedra “Agostinho Neto” que, pela primeira vez numa universidade italiana, está a ser integralmente dedicada ao ensino da Literatura e da Cultura de Angola, conforme palavras do seu coordenador, Giorgio de Marchis.

“Aproveito informar que na primeira quinzena de Maio acabou o V curso livre de Cultura Angolana que, ao abrigo da Cátedra “Agostinho Neto” e com o imprescindível apoio da UEA e da FAAN, decorreu na Universidade de Roma Tre. Este ano o seminário foi ministrado pela Professora Ana Clara Guerra Marques, e também contou com a participação da Docente Egídia Souto, da Universidade Sorbonne Nouvelle, e de vários especialistas italianos. Foi realmente um sucesso”, salientou. Por força do acordo, as três instituições comprometem-se a desenvolver iniciativas e actividades que possam contribuir para o reforço dos programas de ensino da Língua, da Literatura e da Cultura angolanas na Itália.

 

 

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