INS sem capacidade para atender 80 pedidos de sangue por dia

O Instituto Nacional de Sangue (INS) recebe diariamente cerca de 80 solicitações para cobrir as necessidades hospitalares depacientes, mas não tem capacidade de resposta, declarou ontem, em Luanda, a sua directora-geral adjunta para a área técnica, Eunice Manico, em entrevista a OPAÍS, por ocasião do dia Mundial do dador de Sangue.

Por: Maria Teixeira

Eunice Manico disse que se continua a apelar para o surgimento de dadores voluntários por terem o estoque demasiado baixo, sendo que 90% são de doação familiar, o que não chega para as necessidades.

Nesta época do ano, segundo o INS, o hospital que mais solícita bolsas de sangue é a Pediatria, devido ao número de crianças que dão entrada com casos de anemia e malnutrição. Em segundo está o Instituto Ontológico, em consequência do elevado número de pacientes com tumores e de acidentes de viação.

“O Instituto Nacional de Sangue recebe cerca de 80 solicitações todos os dias e isso tem sido, de facto, um sufoco, porque não temos sangue em reserva para aguentar. Temos a sorte de ter os familiares que nos apóiam, mas nós precisamos de reverter essa situação”, contou.

Realçou que em Angola existem de 10 mil dadores voluntários de sangue, maioritariamente em Luanda. No seu todo, o país precisa de 300 mil dadores por ano, sendo que está muito aquém daquilo que são a procura e a meta estabelecida pela Organização Mundial da Saú-de (OMS).  de (OMS).

Esta organização orienta que um por cento da população deve ser dadora de sangue, voluntária, para que haja garantia de segurança na transfusão. Anemia falciforme e malnutrição entre as doenças que mais carecem de doação .

Em declarações à imprensa, por ocasião da efeméride, Leonardo Inocêncio disse que a doação de sangue é necessária para a garantia das reservas, com o propósito de atender as necessidades.

Sublinhou que a doação é um acto espontâneo de solidariedade ou, algumas vezes, vinculado a um determinado paciente conhecido.

O secretário de Estado da Saúde para a Área Hospitalar declarou que em Angola os serviços que mais solicitam sangue e componentes são: as pediatrias, para casos de anemia e malária, doença falciforme e malnutrição; as maternidades, por patologias ligadas à gravidez ou parto; serviços de Oncologia e serviços de Traumatologia, por acidentes rodoviários.

O governante reiterou o convite à sociedade para a reflecção sobre a gravidade da falta da importante figura do “Doador de Sangue” para o sistema de saúde.

movermos a doação de sangue e obtermos dadores de baixo risco, urge a necessidade da realização de estudos das comunidades a serem envolvidas nas actividades em prol da doação de sangue”, frisou.

Acrescentou de seguida que “precisamos de promover campanhas a todos os níveis com acções que incentivem a promoção da saúde, estilos de vida saudáveis e educação sexual”.

Por essa razão, no segundo semestre de 2018 foi elaborado um plano operacional com intervenções nas diversas áreas que concorrem para a garantia de dádivas seguras, entre as quais o apetrechamento dos serviços de hemoterapia das 18 províncias.

A aquisição de reagentes para despiste de doenças infecciosas, a capacitação dos técnicos e a supervisão dos serviços com o foco na vertente processual constam entre as necessidades a serem supridas espelhadas nesse plano.

Enice Manico directora-geral adjunta para a área técnica do Instituto Nacional de Sangue “Doar sangue é um gesto nobre que pode salvar vidas” Por sua vez, o representante da OMS em Angola,

Hernando Agudelo, disse que a doação de sangue salva vidas e melhora a saúde. Lamentou que muitos pacientes que necessitam de transfusão de sangue e produtos sanguíneos seguros não tenham a eles acesso oportuno devido à escassez.

Hernando Agudelo lembrou que a primeira causa de morte no país são os acidentes rodoviários e que “doar sangue é um gesto nobre que pode salvar vidas”, em particular de mulheres que sofrem de sangramento associado à gravidez e ao parto, de crianças que sofrem de anemia grave devido à malaria e desnutrição.

A cerimónia que assinalou a efeméride decorreu no Memorial Agostinho Neto, sob o lema “Sangue seguro para todos” e serviu para homenagear e agradecer aqueles que doam sangue voluntaria e regularmente em benefício da saúde da comunidade.

 

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