Reformas económicas vão reduzir dívida externa de Angola

As políticas e as medidas implementadas pelo Executivo desde 2018 vai permitir que Angola não aumente a dívida externa ainda este ano, admite o economista do grupo Standard Bank para os mercados de Angola e Moçambique, Fáusio Mussa.

A melhoria da liquidez em moeda externa no mercado cambial que se traduz numa menor depreciação da moeda comparado ao ano passado, assim como agilidade do governo em ajustar o Orçamento Geral do Estado para uma expectativa de redução da receita petrolífera entre outros os esforços de consolidação fiscal está a gerar um impacto positivo ao nível internacional. Segundo o economista, o conjunto dos projectos que o governo angolano leva a cabo desde 2018 cria assim uma grande credibilidade ao nível dos programas e projectos nos mercados internacionais, o que considera bastante positivo.

A título de exemplo, citou a revisão do orçamento ao preço do barril de petróleo a 55 dólares, sendo esse um factor importante.

Por este facto, aproveitou a ocasião para elogiar o Governo angolano pelo facto de ter reavaliado as projecções de crescimento, resultado da revisão do Orçamento Geral do OGE/2019, cujo preço inicial de referência do petróleo era de USD 68, mas acabou por baixar para 55. Segundo o especialista que falava à imprensa no fi nal de um almoço sobre o resultado de uma pesquisa, sobre a actual conjuntura do país realizada pelo Standard Bank.

Ainda assim, há necessidade de se apertar o cinto neste momento. Fáusio Mussa aconselhou o governo a continuar com as reformas sobre a melhoria da qualidade das despesas e estabilização da dívida em níveis confortáveis.

“ É muito importante continuar a garantir que a dívida externa se estabilize “, aconselhou Acredita também ser necessário reforçar o sector petrolífero, o crescimento desejado e a consequente diversificação da economia.

“Não acredito ser possível diversificar a economia angolana sem melhorar o sector petrolífero.

Sem fortalecer o sector do petróleo será muito difícil mudar o resto da economia”, disse. Importa lembrar que o Executivo angolano está a reformar a economia com o apoio de instituições financeiras internacionais, dentre elas o Fundo Monetário Internacional (FMI), numa primeira fase com assistência técnica e agora com duas linhas de crédito.

A reformas que visam igualmente credibilizar o sistema financeiro nacional já permitiu a assinatura de acordos com vários países da Europa, que libertaram financiamentos a favor de Angola.

A caminho está uma missão americana que vai tratar da facilitação de divisas ao país, por via dos bancos correspondentes, no sentido de facilitar as trocas comerciais com o estrangeiro, uma vez que Angola ainda vive de importações. Standard Bank prevê um crescimento da economia em 1.7% em 2020 Ainda no decorrer da sua apresentação o economista ressalta que com as reformas adoptadas pelo governo, o Standard Bank prevê um crescimento da economia angolana na ordem dos 1.7%, a partir de 2020, sendo que a perspectiva para 2019 é de 0,7%, um pouco acima dos 0,3% defi nidos nas projecções defi nidas no OGE/2019 revisto.

O economista acredita que o país está a dar passos fi rmes para retomar a actividade económica, mas a economia continua negativamente afectada pela recessão no sector petrolífero que impacta negativamente no resto da economia.

“Mantemos inalteradas as nossas projecções de que a economia só saia da recessão no próximo ano, tal como publicado na edição de Maio do “African Markets Revealed” do Standard Bank Research”, afirma o economista do Grupo Standard Bank. Fáusio Mussa disse que no que toca ao choque verificado na balança de pagamentos, em função das restrições das divisas, e consequentemente, o seu impacto na taxa de câmbio, enalteceu os esforços empreendidos pelo Banco Nacional de Angola, que busca flexibilizar o mercado cambial.

Em relação às reservas internacionais líquidas, referiu que o BNA perdeu 5 mil milhões de dólares em 2017, mas em 2018 a perda foi quase mil milhões de dólares, tendo-se registado uma estabilidade.

Actualmente, o banco central apresenta reservas brutas no valor de USD 16 mil milhões que permitem cobrir perto de oito meses de importações. No evento, estiveram ainda representantes de instituições públicas como o Banco Nacional de Angola (BNA) e o Ministério das Finanças (MINFIN).

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