Os sete pecados que condenaram o pastor Olívio

O réu Olívio Raúl Miguel de Sousa, de 28 anos, que no Tribunal disse ser pastor da Igreja Assembleia de Deus Pentecostal, cometeu pecados que o levaram à pena máxima da justiça angolana (24 anos de prisão). Tanto na “lei dos homens”, quanto na “lei de Deus”, os pecados do pastor Olívio mexeram com a sociedade, mas, ainda assim, mereceram o perdão da sua sogra. Deus manda-nos amar o próximo como a nós mesmos, todavia o pastor cometeu o pecado de tirar a vida da mulher com quem estava casado havia dois anos

1. Deixar que a pressão da sociedade interferisse no casamento

Algumas vezes a família de Olívio e a sociedade (de forma indirecta) cobrava fi lhos do casal (Olívio e Carolina Sousa), por já terem completado dois anos de casados. A cobrança, que acabou por criar uma pressão social, era feita na presença dos dois, e, apesar de estes terem procurado esclarecer que não se casaram com o objectivo de ter filhos apenas e que as pessoas deviam ter paciência, foi afectando a boa relação. Apesar de ser pastor e de o casal ser conhecido na igreja, Olívio não informou aos superiores hierárquicos a fase desagradável por que passavam, nem procurou buscar conselho destes. Preferiram resguardar-se.

2. Não aceitar o desfecho amigável e passar a controlar os passos da mulher

A pressão referida começou a resultar em discussões. Houve uma altura, em Outubro do ano passado, em que Carolina Sousa pediu o divórcio por consentimento mútuo ao parceiro. Este recusou e passou a controlar os passos da parceira, a tentar entrar no telefone dela (que já tinha alterado o código de segurança) e a saber com quem saía e onde ia. Foi então que, em princípio de Novembro, segundo Olívio, a esposa disse ir a sair com a amiga Cláudia, mas acabou não saindo com esta e sim com amigos para ver um filme cuja trama trata de assuntos ligados com a advocacia.

3. Agressão física contra a esposa com um bloco de cimento

No dia 28 de Novembro de 2018, data dos factos, a advogada, de acordo com o réu, terá chegado às 21h:00 à casa, encontrado o jantar já feito pelo esposo. Logo após o banho, numa altura em que punha o creme corporal, o marido insistia em perguntar as razões da chegada tardia, tendo ela respondido que tinha ido deixar uma colega no Sequele. A insistência era tanta que entraram em discussão e o marido perguntou se ela tinha saído com outro homem, pelo que a esposa respondeu: “sim, e dái?”. Tal resposta, disse ele, levou-o a pegar num bloco de cimento e a atingir a cabeça da esposa, quando ela se encontrava de costas.

4. Matar a mulher com quem casou e jurou (perante Deus e os homens) amar

Ficou provado para o tribunal que o pastor Olívio tinha a intenção de matar, pois, depois de desferir dois golpes com um bloco de cimento na cabeça da vítima, desferiu ainda cinco golpes com faca, embrulhou o corpo da vítima com uma manta e depositou- o na fossa da casa, colocando uma placa de madeira por cima e soda cáustica. As causas da morte, segundo o que consta na autópsia, foram asfixia mecânica, penetração de líquidos na mucosa e afogamento, o que prova que Carolina foi posta na fossa ainda com vida.

Falsidade perante a família e a igreja

Depois de desobedecer ao Mandamento da Lei de Deus que diz “não matarás” (nem causarás outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo), o pastor Olívio, no dia seguinte ao do crime, ainda participou no culto na igreja. Começou a engendrar o álibi perfeito sobre o suposto desaparecimento da sua esposa, em que a igreja e a família acreditaram, tendo estes feito correntes de oração em que o réu participou, com a maior naturalidade. Pegou numa bolsa, no telefone e numa blusa da esposa e dirigiu-se à passagem aérea dos “Congolenses”, na Estrada de Catete, onde os depositou. Ligou para o escritório dela a perguntar pela esposa e foi a TV Zimbo anunciar o seu suposto desaparecimento.

6. Não mostrar arrependimento e dar trabalho ao SIC

Desde que começaram as investigações pelo Serviço de Investigação Criminal, segundo Fernando Júnior, Olívio mostrava sempre álibis que dificultavam o trabalho dos peritos. Ele não confessou o crime e deu trabalho aos peritos, desvirtuando as informações. As câmaras de segurança de uma discoteca próxima de sua casa não confirmaram a sua saída com a esposa até à paragem de táxi. Extratos de mensagens telefónicas também o denunciavam. Depois de cinco dias de investigação, os agentes do Serviço de Investigação Criminal descobriram a farsa, com o suporte de imagens de vigilância e rastreio do seu telefone, e com as contradições das suas próprias declarações.

7. Ocultar o cadáver da mulher

Olívio foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Foi um crime premeditado, sem remorsos. Por isso, 24 anos de prisão e 15 milhões de Kwanzas de indemnização fi zeram a sua sentença. A mãe de Carolina, Dona Maria, no dia da leitura da sentença, disse que não perdeu apenas a fi lha, já que a sua mãe (avó Zita), que estava hospitalizada havia algum tempo, acabou também por perder a vida ao saber do que tinha acontecido com a neta. Apesar disso, a senhora pediu ao genro que recebesse o seu perdão (de coração) em nome de jesus em suma, o pastor cometeu muitos pecados, mas o julgamento final quem o faz é Deus. Os homens vão esperar que Olívio  saía (já com 52 anos) da cadeia um “homem novo”.

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