Research Atlantico: O desempenho económico de Angola em Maio

O Banco Nacional de Angola (BNA) mantém as indicações de continuidade da moderação da política monetária restritiva, tendo o Comité de Política Monetária (CPM) decidido reduzir a Taxa BNA de 15,75% para 15,50%, na terceira reunião ordinária de 2019. A decisão foi suportada pelos dados de Abril, que apontam para a desaceleração da infl ação homóloga e a contracção da base monetária em moeda nacional

Na mesma reunião, o CPM decidiu manter inalterado o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional em (17%) e estrangeira (15%). A decisão, de moderação da política restritiva, poderá reflectir a melhoria da liquidez no mercado, tendo o rácio das reservas excedentárias em moeda nacional sobre a base monetária em moeda nacional – Indicador relativo do nível de liquidez do BNA se situado em 20,9%, um incremento de 7,4 p.p. face ao período homólogo. Por outro lado, a taxa de inflação apurada em Abril situou-se em 17,36% em termos homólogos. O nível reflecte uma desaceleração de 2,86 p.p. face ao mesmo período de 2018.

A tendência de desaceleração dos preços segue uma variação média mensal de 1,08% nos últimos quatro meses, tendo acumulado aumento de 4,4% até Abril, facto que se se mantiver poderá contribuir no alcance do target previsto na proposta de OGE de 2019, fixada em 15% e reduzir a incerteza sobre o custo do consumo das famílias. Outrossim, a estratégia de flexibilização cambial, associada à eliminação das vendas directas contribuíram para a moderação da depreciação no ano corrente, considerando-se que a desvalorização do Kwanza em relação ao dólar e ao euro atingiu 4,48% e 2,52%, no Iº quadrimestre de 2019, quando no ano anterior fixou-se em 26,53% e 32,07%.

Com efeito, as Reservas Internacionais continuaram a seguir tendência decrescente, sendo que em Abril as Reservas Internacionais Brutas (RIB) se fixaram em 16,36 mil milhões USD e as Líquidas (RIL) em 10,83 mil milhões USD, que representam reduções homólogas de 5% e 14%, respectivamente. Paralelamente, o Iº quadrimestre de 2019 caracterizou-se pela arrecadação de receita proveniente das exportações de diamantes, com uma contribuição fiscal de 11.455,53 milhões Kz, que supera em 127% o registo do período homólogo. No entanto, as yields dos Eurobonds registaram aumento mensal na generalidade das maturidades, tendo apresentado incremento de 6,5 p.b. e 22,3 p.b., para 8,65% e 7,08% em Abril, nas maturidades em 2048 e 2025, respectivamente, sendo que o Eurobond com maturidade em 2028 representa a excepção, ao registar redução mensal de 4,5 p.b., para 7,49%.

Por conseguinte, a Proposta de Lei do Orçamento Geral do Estado Revisto 2019, com a votação final realizada no dia 6 de Junho, prevê um crescimento da economia de 0,3% durante o ano corrente, que representa uma revisão em baixa de 2,5 p.p. face à taxa de 2,8% inscrita no OGE em vigor, porém uma evolução positiva face à contracção apurada no ano anterior. Assim, a economia angolana poderá registar uma trajectória de recuperação moderada, após um período de recessão económica por três anos consecutivos, em consequência da melhoria do ambiente de negócios e de uma maior aposta no sector não petrolífero. Destaca-se que o sector petrolífero deverá continuar a apresentar um desempenho negativo, tendo os dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo demonstrado que a produção petrolífera do país referente ao mês de Abril fixou-se em 1,413 milhões barris/ dia, uma redução de 41 mil barris/dia face ao período anterior, segundo as fontes secundárias. Destaca-se que o nível registado situou-se ligeiramente abaixo da média estimada na proposta do OGE Revisto (1,435 milhões barris/dia).

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