Investigador social antevê ganhos com a integração de Angola no Afrobarómetro

O investigador social Carlos Pacatólo enaltece o facto de Angola integrar, pela primeira vez, o consórcio pan-africano de estudos de opinião dos cidadãos, conhecido como Afrobarómetro

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

Pela primeira vez, o nosso país integra o maior e o mais prestigiado consórcio de estudos de opinião pública em África, liderado pelo Afrobarómetro, isso graças às mudanças em curso no país em matéria de democracia, corrupção, tolerância, acesso aos bens de serviços públicos, igualdade do género, entre outros tópicos. O Afrobarómetro identifica em cada país um parceiro através de concurso. Para o caso concreto de Angola, a OVILONGWA Consulting venceu-o.

Nesta perspectiva, o Afrobarómetro considerou que Angola já cumpria os requisitos para se ser parceiro, na base da abertura política que se regista, o que favorece, de acordo com o consórcio, maior liberdade de expressão aos cidadãos. Em entrevista a OPAÍS, o investigador Carlos Pacatólo, um dos 4 membros integrantes de Angola, justifica que a disposição de uma base de dados relativos à boa governação e democracia, entre outros, permitirá ao Governo, na formulação das suas políticas públicas, ter acesso a uma informação sobre as necessidades neste domínio, para responder pontualmente aos problemas sociais.

Pesquisa de opinião

A primeira ronda (pesquisa de opinião) em Angola deverá acontecer ainda este ano em todas as províncias do país, com entrevistas presenciais em língua portuguesa e em línguas nacionais, respeitando os critérios do Afrobarómetro. Depois de aplicar o inquérito, segundo o politólogo, terão 90 dias para o tratamento dos dados relacionados com problemas e prioridades das políticas em África, limites dos mandatos presidenciais, riscos que as democracias correm, pobreza, migração, oposição política, liberdades de expressão e exercício da comunicação social pública e privada e não só. Ainda neste período, proceder-se- á à divulgação dos dados, numa sequência mais ou menos cronológica, de relatórios parciais “até que cheguemos ao relatório total daquilo que é o resultado da aplicação desse inquérito para ouvir a opinião das pessoas sobre as várias temáticas”, disse.

O Afrobarómetro é uma organização não-governamental, fundada em 1999, no Ghana, responsável pela realização de estudos de opinião sobre democracia e boa governação em mais de 35 países africanos, cujos dados são usados por organizações como a fundação Mo Ibraim no desenvolvimento do seu trabalho sobre boa governação. O investigador Carlos Pacatólo – que liderou, em 2017, a primeira sondagem eleitoral publicada de que se tem memória no país – assegura que dispor de uma base de dados sobre a opinião dos cidadãos à volta das temáticas de boa governação, democracia, entre outros, facilita o trabalho dos governos e considera um contributo que a OVILONGA Consulting pode dar ao país, apresentando-se como parceiro do Afrobarómetro.

O Afrobarómetro conta com um suporte científico e tecnológico muito forte, que assenta nas universidades de Michigan (EUA), Cape Town (África-do-Sul), do Ghana e a de Nairóbi (Quénia), que dão a robustez necessária aos dados produzidos de acordo com a sua metodologia. Em Angola, os académicos Carlos Pacatólo, politólogo, David Boio, sociólogo, Avelino Kiampuku, economista, e José Pedro, politólogo, integram o Afrobarómetro, decorrente da suas experiências na recolha e análises de dados.

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