Receitas da crise

Dei comigo a ler o site “Delas”, e dei comigo a visitar restaurantes, a “maltratar- me” com as imagens sempre perfeitas de mesas postas, de iguarias servidas, copos coloridos artisticamente desenhados nos seus cocktails. Realmente, os olhos comem primeiro, afogam-nos a boca de saliva e obrigam o estômago a jurar que tem fome. Cada vez mais, a cozinha é uma arte, cara, em alguns lugares, salvadora noutros. É que o bom gosto e a imaginação nem sempre têm a ver com o preço. Lembrei-me de um livro que li nos anos noventa. Ou sou já kota, ou, e isto é verdade, sempre gostei de ler. O livro foi publicado em 1960, eu ainda nem tinha nascido, e vendeu mais de trinta milhões de exemplares (os nossos “best sellers” se chegam aos três mil é festa grande) . Mas vamos ao que interessa: lembrei-me do livro “Nem só de Caviar Vive o Homem” de Johannes Mario Simmel, ou apenas j.m. Simmel. O que não sofri ao ler aquele livro fantástico, com as aventuras de Th omas Lieven, verdadeiras. Sofri de gula, digo já. Imaginem um rapaz novo a ler um livro sobre factos reais de espionagem, cheio de aventuras e de receitas gastronómicas bem gulosas em plena desgraça da Segunda Guerra Mundial, quando faltava de tudo. Parar de ler não dá, a história é fantástica, mas e a vontade de imitar as receitas!!! Sofre-se sim. Depois da viagem pelo Delas, lembrei- me uma vez mais do califebeu, o lombi costinha que saboreei há uns quatro anos na comuna da Huíla… Ok, isto vem a propósito de estarmos em crise e com falta de dinheiro e não aparecer um só chef angolano a propor receitas da crise. Aqui nada espicaça a criatividade.

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