Evans Mbugua: “Sou um artista visual focado nos seres humanos”

O nosso interlocutor nasceu em Nairobi, capital do Quénia, Evans Mbugua, vive e trabalha em Paris, França. Neste seu primeiro contacto com a classe anfitriã, em Luanda, onde acaba de realizar a sua primeira Residência Artística de oito semanas no Angola AIR, o artista fala da experiência e da sua interacção neste domínio

É a primeira vez que vem a Luanda. Qual é a percepção que teve desta cidade e da sua gente?

Sim é, e adorei! Luanda para mim é tanto o seu passado como o seu futuro, tudo isto, a sua gente e os hábitos das suas gentes, de facto foi um encanto e saio com muito boas referências.

Como foi a sua interacção com o anfitrião artístico ELA-Espaço Luanda Arte?

Foi óptimo trabalhar com o ELA-Espaço Luanda Arte! A equipa foi calorosa, acolhedora e o espaço propício para minha pesquisa e processo criativo. Rapidamente senti-me “em casa”.

O que apresentou nesta primeira Residência Artística e o que retratou?

Explorei um corpo de trabalho chamado “Diálogo” e apresentei uma instalação de 40 peças desta série. Estava interessado em criar uma conversa enquanto descobria a cidade e a vida quotidiana. Também fiz algumas pesquisas para um projecto de vídeo e instalação de som chamado “Transation”. Este é um trabalho em andamento e, como tal, não foi apresentado no ELA-Espaço Luanda Arte.

Quais foram as técnicas usadas na execução das obras desta Residência Artística?

Pintura à mão em acrílico e papel impresso. Vídeo e gravação de som.

O que gostaria que fosse incluído nesta Residência e não se fez?

Infelizmente, o projector de vídeo estava indisponível. Teria adorado fazer algumas experiências com uma instalação de vídeo e som.

Que balanço faz das oito semanas de estadia em Luanda e o que mais lhe despertou?

Como referi foi óptimo ter feito esta residência no ELA – Espaço Luanda Arte! Consegui inspirar-me para dois novos projectos.

Qual será a sua próxima Residência e onde será realizada?

Ainda não sei.

Como está a sua agenda de exposições em Luanda?

O tempo vai dizer. Mas espero voltar.

E no Quénia?

Tive uma exposição no Quénia em Fevereiro deste ano.

Fale-nos um pouco mais sobre o intercâmbio artístico?

Durante a residência tive o privilégio de conhecer e interagir com vários artistas locais (Paulo Kapela, Ricardo Kapuka, Albano Cardoso, MuambyWassaki, EryClaver, Hugo Salvaterra EKeyezua) e artistas internacionais (Ayana V Jackson, No Martins e SammyBaloji), uma curadora (Paula Nascimento) e um historiador de arte (Adriano Mixinge). Também descobri galerias locais e espaços de arte durante as aberturas, assim como convites para vários eventos artísticos. Isso foi crucial na descoberta e compreensão de vários aspectos da sociedade angolana.

Depois de ter tido este contacto artístico, com que percepção ficou em relação às artes plásticas em Angola?

Tudo aponta para um cenário de arte que é activo, dinâmico e muito promissor. Tive contactos com alguns coleccionadores de arte angolanos e galeristas igualmente.

O que mais o emociona nas artes plásticas?

Descobrir o que meus contemporâneos estejam a trabalhar, dentro e fora dos seus estúdios. Também estou animado em descobrir projectos da próxima geração de artistas, quer angolanos quer de todo o continente.

Quando é que entrou para o universo artístico e o que apresentou?

Por sempre ter sido uma pessoa criativa, mostrei o meu trabalho em galerias e exposições desde 2015.

De lá para cá, como tem sido gerida a sua carreira e quantas exposições realiza por ano?

Trabalho com galerias de arte para me deixar espaço para trabalhar apenas no meu estúdio. Eu tenho várias exposições por ano. Actualizo isso no meu site: www. evansmbugua.com

Qual foi a mais recente, onde se apresentou e o que retratou?

Além da apresentação em estúdio aberto no´ELA-Espaço Luanda Arte´, mostrei recentemente trabalhos em Nairobi (Quénia) e em Lisboa (Portugal). Obras de diferentes corpos de trabalho foram mostradas: “De Volta ao Futuro” e “Diálogo”.

Sente-se um artista realizado?

Eu estou constantemente a evoluir como artista, sem tempo para parar antes do meu último suspiro!

O artista

Evans Mbugua, nascido em 1979 em Nairobi, capital do Quénia, reside e trabalha em Paris, duas cidades modernas e cosmopolitas que se entre cruzam pela cultura dos diferentes povos. É um artista visual e designer. Durante os seus anos de colégio no Quénia, e estudos em França, em 2005, Evans Mbugua formou-se em Belas Artes de Pau e design gráfico. Evans Mbugua auto-designa-se como um reciclador gráfico: coleccionando os pictogramas dos seus ambientes urbanos, dando-lhes uma segunda vida. Ao tecer digitalmente esses sinais comuns, Evans recria uma nova linguagem universal. No entender do artista, hoje, não importa qual a ferramenta criativa que escolhe para se expressar: o ser humano está no centro da sua abordagem artística.

Exposições

Mbugua realizou a primeira exposição colectiva em 2014, em Paris, sob a égide da UNESCO durante a “Semana do Quénia”, ao que se seguiram outras três em 2015 na Galeria Ko21 e Galeria hCE em Paris. 2016 foi um ano de revelação com a sua primeira exposição individual em Paris na Ellia Art Gallery, com curadoria de Olivier Sultan. As suas obras foram exibidas em Paris em sete exposições colectivas, organizadas pela Piasa. Nesse mesmo ano, Evans também expôs na Galeria de Arte Africana em londres e participou numa Residência Artística em Marrocos como parte da 2ª edição do Art’Rimal. Em 2017, os seus trabalhos foram exibidos no Museu de Nova York, Estados unidos. A esta seguiram-se outras na galeria Arte-Z em Paris, em 2018 na galeria out of África em Sitges, Barcelona, Espanha.

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