O grande desperdício

Assinala-se hoje o Dia do Refugiado, uma data internacional. Para nós, angolanos, este fenómeno parece já uma coisa distante, apesar de termos em Angola um número imenso de refugiados, de gente que precisa de apoio, de amparo, de carinho. Para nós, o fenómeno parece ter ficado no passado, com a guerra, quando milhares e milhares vagueavam pelo interior do país em busca de refúgio, em busca de segurança, de mais um dia de vida. Quantos deles estão hoje bem longe das terras dos seus pais e dos seus avós? Não, não se trata apenas do resultado da livre circulação e livre escolha de onde morar dentro do país, a guerra forçou à deslocação de famílias inteiras. Tudo isto tem consequências negativas e positivas. Por exemplo, as grandes cidades ficaram culturalmente mais enriquecidas, apesar de os poderes locais não tirarem o mínimo proveito de tal riqueza. Angola está também a desperdiçar o manancial de riqueza cultural trazido pelas comunidades migrantes e refugiadas que aqui se estabeleceram, principalmente as africanas. Não se sabe se existem políticas públicas de integração social e de apropriação cultural, visando os africanos que cá se estabelecem, mais facilmente vemos restaurantes portugueses, japoneses, chineses ou mexicanos e brasileiros do que de nacionalidades africanas. É miopia pura. Por exemplo, se queremos brilhar nos palcos do atletismo mundial, por que razão não se naturaliza os eritreus, somalis e etíopes que cá estão há décadas na condição de refugiados ou imigrados? Sim, a ausência de políticas do Estado angolano para a integração dos refugiados tem sido um grande desperdício.

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