Família quer prisão de agentes policiais do Lobito que terão morto o seu parente

Sobre este caso de alegada violência policial, que culminou na morte de um homem angolano, a família enlutada trouxe as informações à imprensa porque esperam obter justiça, com a prisão dos agentes da Polícia. Detido na tarde de Quinta-feira, 13 de Junho, Francisco Capingãla terá sido contactado pela Polícia em casa, pedindo-lhe que os acompanhasse à 4ª Esquadra, para prestar declarações a respeito de uma obra em que trabalhava.

Rafael Augusto, primo da vítima que vivia em sua casa, foi ter à esquadra policial para acompanhar o processo, contudo, apesar de ter aguardado no exterior das instalações, até ao anoitecer não conseguiu obter informações.

Soltura feita “para livrarem-se do problema”, acusa primo

Na tarde da passada Sexta-feira, por volta das 14 horas, um dia após a detenção, foi com grande espanto que Rafael viu o primo Francisco surgir, de volta a casa, apresentando hematomas e mostrando- se muito fragilizado.

Narrando aos parentes o que se terá passado nesse período de 24 horas em que esteve detido, fez saber que foi agredido pelos polícias, segundo contou Rafael a este jornal, na tarde de ontem.

E, por ter passado mal durante a noite, os agentes policiais tê-lo-ão levado ao Hospital Gaspar Domingos, no bairro da Lixeira, ainda na manhã de Sexta-feira, para averiguar o seu estado clínico.

De regresso ao encarceramento, Francisco Capingãla piorou em termos de saúde e a Polícia tê-lo-á posto em liberdade à tarde, “para livrarem-se do problema”, acusou Rafael Augusto. E, na manhã seguinte, Sábado, faleceu.

Rafael, parente, fez saber que o malogrado era considerado um cidadão batalhador. Sendo natural do Uíge, há quatro anos mudou- se para Benguela, para trabalhar no Lobito e mandar sustento aos filhos.

Investigações policiais em curso

Em nome da Polícia Nacional em Benguela, o super-intendente Francisco Tchango enunciou que, após o Comando Provincial ter tomado conhecimento deste caso, anteontem, abriu um inquérito.

Ontem, os familiares da vítima, residentes no Lobito, foram procurados pelo Serviço de Investigação Criminal, para prestarem depoimentos. Ter-lhes-á sido dito que o mesmo procedimento seria feito no hospital que prestou cuidados a Francisco.

Com a recolha de testemunhos em curso, a família espera que sejam identificados os culpados pela morte do carpinteiro, que terá sido espancado por polícias, na esquadra, por ter uma obra com a entrega atrasada.

Três crianças que ficaram sem pai…

O funeral de Francisco ocorreu na Terça-feira, 18 de Junho e, infelizmente, por contenção de custos, os seus filhos não puderam deslocar-se do Uíge para vir a Benguela dar o último adeus ao pai.

Os três menores de idade, agora órfãos de pai, permanecem na província do Uíge, vivendo com um irmão mais velho de Francisco Capingãla, que tem melhor sorte financeira do que o falecido.

Por isso, quando se mudou para o Lobito, o carpinteiro autónomo deixou os filhos ao cuidado do tio destes, seu irmão, apesar de as crianças manterem uma relação próxima com a mãe, segundo Rafael Augusto.

Consternado com a morte do primo que acolheu em sua casa, na zona alta do município do Lobito, Rafael espera que a Polícia se responsabilize, provendo indemnizações para garantir o sustento e futuro dos órfãos.

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