O outro lado da moeda

Isto é como as notícias, têm sempre um outro lado, uma outra versão. A Política angolana está a aprender esta realidade também, mas este é mesmo o melhor caminho, ainda que doloroso em alguns momentos. E quando não se é imediatista sabe-se que as contas políticas, das acções e palavras, estas as faz a história.

João Lourenço, por exemplo, está neste momento a viver dois lados da mesma moeda. Depois do congresso do MPLA, já no finzinho, ele disse uma coisa que acabou, para a sociedade, quase que por ofuscar o congresso e os seus resultados. Hoje, o que está a dar mesmo são as piadas com o “Não gostei nada”. Politicamente, os seus adversários têm aqui uma arma de arremesso que vão usar até à exaustão, ou até que outra coisa relevante capte a atenção e as emoções do povo. A parte má nisto tudo é o papel de alguns guardas não nomeados que tentam defesas desesperadas que acabam por dar um “cunho intolerante” à frase que, seguramente, não tinha este propósito no momento e local em que foi proferida.

É que estamos todos incomodados com a frase, mas esquecemo-nos de uma particularidade, a tal que a história poderá registar: a liberdade de expressão. Não estamos apenas a criticar o Presidente por ter dito uma coisa que não agradou à nossa “postura” democrática, estamos a dizê-lo por escrito, nas redes sociais e nos jornais, na rádio, na televisão. É este o tal outro lado que se deve a João Lourenço: desanuviou o espaço de expressão. E aqui, ele e nós podemos equivocar-nos, mas expressamo- nos. Este é o melhor lado da moeda.

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