o editorial:O dia das que mais sofrem

Jornal OPaís edição n°1513 de 23/06/2019

Quando uma família perde o seu pai, o cabeça de casal, sobretudo em África, e em Angola em particular, tudo o que o casal havia conquistado se desmorona. Se não tiver um apoio forte por parte da família da mãe, o mais normal é aquele núcleo se desintegrar e os fi lhos perderem o seu caminho.

Em nome de tradições desumanas, muitos cidadãos, incluindo senhores doutores e até deputados, caem sobre os bens do falecido marido como abutres e nada deixam aos fi lhos e à viúva. O Estado, por seu lado, como em quase todas as situações de vulnerabilidade social em Angola, prima pelo seu afastamento, silêncio e assobio lateral, muitas vezes escudando-se, ele também, ou os seus agentes, na desculpa do direito consuetudinário. É só mais uma das nossas vergonhas nacionais, a ligeireza com que desprotege quem mais precisa de apoio.

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