Educação pretende recrutar mais 10 mil professores este ano

Ainda não se sabe como se fará a distribuição por província, pois o processo depende do aval do Ministério das Finanças, que poderá não disponibilizar a quota solicitada. Entretanto, o ensino primário é o nível que apresenta maior necessidade

Mais de 10 mil vagas é a quota solicitada pelo Ministério da Educação (MED) ao Ministério das Finanças (MINFIN) para novos ingressos de professores, no corrente ano, para cobrir o déficit de quadros que se regista no sector. A revelação foi feita recentemente a OPAÍS pelo secretário de Estado para o Ensino Pré-Escolar e Geral, Pacheco Francisco, tendo adiantado que a proposta do número de vagas já foi remetida ao MINFIN e neste momento se aguarda por aprovação desta instituição.

O número de vaga solicitadas corresponde a metade das disponibilizada  em 2018, todavia, Pacheco Francisco advertiu que a quota solicitada pode sofrer redução caso o departamento das Finanças justifique com falta de verba. O governante frisou que neste momento ainda não se sabe como se fará a distribuição por províncias, mas “o ensino primário é o nível que apresenta maior necessidade”, disse Pacheco Francisco. Importa referir que no quadro do concurso público do ano passado, das 20 mil vagas, apenas foram preenchidas 18 mil, e província de Luanda absorveu o maior número (dois mil e 650 vagas) para professores do ensino primário, primeiro e segundo ciclos do ensino secundário. Seguiu-se a Huíla (mil e 584), Cuanza-Sul (mil e 414), Benguela (mil e 376), Huambo (mil e 372) e Cuando Cubango (mil e 203).

Centros comunitários nas aldeias

Tendo em conta as dificuldades que se tem registado no ensino, particularmente das crianças que entram directamente para a primeira classe sem antes passarem por uma creche ou jardim-de-infância, o MED pretende construir centros comunitários nas aldeias com o projecto “Todos Unidos pela Primeira Infância (TUPI)”.

Pacheco Franscisco, Sec.Estado da Educação

Segundo o secretário de Estado, até ao mês de Fevereiro do corrente ano, dos 9.7 milhões de crianças matriculadas no pré-escolar, apenas 2% frequentaram a creche. Para o MED, o projecto TUPI pode ser uma via alternativa para se melhorar o esnino, construindo centros comunitários nas aldeias recorrendo a materiais locais, para funcionarem como creches ou jardins-de-infância, enquanto não existam soluções definitivas. Estimular as habilidades das crianças é o que se deseja, de acordo com Pacheco Francisco, para permitir que esta franja não entre com os problemas que se têm registado em alunos da primeira classe. “É necessário aproveitar as habilidades das crianças das zonas rurais. Algumas delas podem render mais do que outras que vivem nas cidades”, defendeu. Para o próximo ano, está prevista a entrada em funcionamento do pré-escolar nas escolas primárias de forma a se eliminar as dificuldades. “Se não trabalharmos com o pré-escolar e com o ensino primário, não teremos a qualidade que se deseja na educação”, frisou o governante.

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