Os médicos esquecidos

Feliciano Cakweya, regedor do Chongoroi, em Benguela, na semana passada encontrou, numa localidade da municipalidade, num só dia, 20 óbitos de crianças que faleceram com a epidemia de “malária”. O Chongoroi é vizinho de Quilengues, na província da Huíla, de onde OPAÍS reportou, há cerca de um mês, uma realidade semelhante. As autoridades apressaram-se a desmentir, como se isso por si só salvasse a vida das crianças. É uma insensibilidade diabólica. O mesmo regedor falou também do gado que morre por falta de cuidados. No Domingo, na Rádio Mais, apenas para ilustrar um determinado assunto, eu disse que em 1975 Angola teria por aí uns sete médicos veterinários. Óbvio que não era para dizer o número exacto, mas sei que mal passavam dos quinze, naquela altura. Pois bem, e já agora, seria bom saber- se quantos existem e onde trabalham actualmente, e por que razão temos sempre notícias sobre doenças a matar o gado dos camponeses. E, já agora, também, por que razão os nossos fazendeiros preferem pagar a alguns “curiosos” brasileiros e portugueses e não a angolanos bem formados. Tem mais, por que é que, até o poder político fala apenas da agricultura da parte agrária e não da pecuária. Será que ninguém sabe do valor económico que os veterinários podem acrescentar ao país e que tem de passar, obrigatoriamente, por eles a estratégia para a redução da importação de carnes? Não é curioso que mesmo nesta crise de seca no Sul ninguém ouve os médicos veterinários? Até parece uma grande conspiração contra uma classe profissional, o que se entende perfeitamente, é muito o dinheiro que entra em certas contas.

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