Autocarros escolares parados há um ano afinal “não são” de Benguela

Empresários do ramo dos transportes em Benguela consideram estranha a rapidez com que se movimentaram, no último fim-de-semana, de Benguela para a Huíla, 4 autocarros dos mais de cem que se encontram paralisados há mais de um ano, alegadamente para se juntarem à logística da visita do Presidente da República. Governo justifica que o facto se deveu a uma “situação de emergência” e que os veículos “não lhe pertencem

Texto de: Constantino Eduardo, em Benguela

O Governo Central movimentou, da província de Benguela para a Huíla, 4 autocarros do lote de mais de cem que se encontram paralisados há mais de um ano nos municípios do Lobito e Catumbela, destinados ao transporte escolar, para atender àquilo que se considerou “situação de emergência”. Mas em Benguela há quem fale da saída de 50 veículos.

Entretanto, tal “situação de emergência”, conforme apurou este jornal, está relacionada com a visita que o Chefe de Estado efectua àquela região do Sul do país, facto que está a gerar suspeições em alguns empresários,que questionam os critérios e o porquê de não se resolver, com a mesma rapidez, o problema do transporte escolar em Benguela. Nesta perspectiva, empresários do ramo dos transportes criticam a atitude do Governo. Os autocarros estão paralisados por falta daquilo a que o Governo provincial chama de “plano de gestão” e de “ordens superiores” para pô-los em circulação. Diariamente, como noticiara há um mês OPAÍS, centenas de estudantes são obrigados a percorrer longas distâncias por falta de transportes escolares, que o Governo local prometeu.

Entretanto, no meio de tudo, determinadas empresas estranham a “rapidez” com que se movimentou os autocarros, quando o Governo dizia que os meios estariam a carecer de determinados condições para, efectivamente, cumprirem os objectivos para os quais foram concebidos, questionando, contudo, “como é que saíram 4 autocarros para atender à visita do PR e não saem para os alunos que diariamente sofrem por causa da carência de transportes?”, questiona um empresário, sob a condição de anonimato.

Longe de implicância com as acções do Governo central ou local, a nossa fonte, que actua no sector dos transportes há muitos anos, diz ter recebido garantias, de membros do Governo, de que os autocarros juntar-se-iam a uma logística preparada à volta da visita de João Lourenço à província Huíla, onde, na Segunda e Terça-feira desenvolveu uma intensa agenda de trabalho.

Questionado por OPAÍS, o director do Gabinete Provincial dos Transportes, Ricardo André, começou por desmentir informações postas a circular, segundo as quais 50 autocarros foram accionados para atender a uma situação de “emergência no Lubango”. “Os autocarros não são só para a província de Benguela. Os meios estão aí apenas porque somos fiéis depositários, não são nossos. O Governo central, quando entender que os primeiros meios agora vão ser enviados para as províncias do interior, poderá fazê-lo. Nós estamos à espera do outro lote que está a chegar”, sustentou.

A província de Benguela, como centro logístico da região Centro- Sul do país, disse o responsável dos Transportes, ainda não sabe quantos autocarros deverá receber, porquanto o Governo Central ainda não procedeu à sua distribuição por províncias.

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