Cinquenta por cento dos doentes com SIDA abandonam tratamento

Ministério da Saúde reconhece que sem a presença dos diversos sectores e parceiros estratégicos nacionais e internacionais, sobretudo da sociedade civil, não será possível alcançar as metas estabelecidas na luta contra a doença

O secretário de Estado da Saúde, Leonardo Inocêncio, deu a conhecer, ontem, que 50 por cento das pessoas que vivem com VIH/ SIDA abandonaram o tratamento com anti-retrovirais. De acordo com o responsável, o país tem uma epidemia considerada generalizada, com uma taxa de prevalência actual de 2 por cento. Em termos práticos, explicou, estima- se que cerca de 310 mil pessoas vivem com a doença no país.

Deste número, segundo notou, cerca de 75 mil pessoas encontram- se em tratamento com anti- retrovirais. E, apesar dos esforços como a implantação da Estratégia Testar e Tratar, há uma taxa de abandono ao tratamento de cerca de 50 por cento e uma taxa de transmissão da doença de mãe para filho de cerca de 26 por cento. Segundo Leonardo Inocêncio, que falava ontem no o Encontro Nacional da Rede Angolana das organizações de Serviços de Sida ( ANASO), os desafios são enormes. E, para vencê-los, apontou, dentre vários aspectos, que se deve conseguir a redução da transmissão do VIH da mãe para o filho, melhorar a adesão ao tratamento da doença e ampliar a prevenção.

Leonardo Inocêncio disse ainda que é necessário optimizar a logística de insumos de prevenção, diagnóstico, medicamentos, qualificar os recursos humanos envolvidos e melhorar as condições de vida das populações.

“É preciso fazer tudo isso através de acções mais integradas, já que vivemos uma crescente redução do financiamento”, frisou

Saúde mais eficiente

O secretário de Estado deu ainda a conhecer que o seu ministério está a promover mudanças na gestão do sistema nacional de Saúde, a fim de torná-lo mais eficiente e humanizado e tem feito advocacia

todos os níveis para mobilizar cada vez mais recursos que permitam investir em melhorias. “Temos tido apoio do Executivo e estamos a trabalhar incansavelmente para construir um sistema de Saúde resiliente e sustentável”, assegurou.

Por outro lado, o responsável reconheceu que, sem a presença dos diversos sectores e parceiros estratégicos nacionais e internacionais, sobretudo da sociedade civil, não será possível alcançar as metas estabelecidas na luta contra a SIDA.

Fundo global quer maior proactividade das ONG na luta contra a SIDA

Por seu lado, o responsável do Fundo Global em Angola, Joshua Galjou, defendeu uma maior proactividade das organizações da sociedade civil na luta contra o VIH/SIDA. Segundo o responsável, a doença em Angola, apesar dos esforços do Governo, continua a crescer e a enlutar muitas famílias, pelo que é necessário um maior empenho das organizações da sociedade civil nas questões preventivas e de combate.

Joshua Galjour sugere a criação de programas mais reais e eficazes que possam ter efeitos práticos no seio das comunidades e causar impactos que podem ajudar na mudança de consciência e de atitude das pessoas, sobretudo as mais vulneráveis. Tal como elucidou, a sua organização disponibilizou para Angola, em 2018, a quantia de 58 milhões de dólares a favor da luta contra a SIDA. Esse valor, esclareceu, deverá ser gasto até ao ano 2021 nas questões que têm a ver com a sensibilização, prevenção e luta contra a doença que tem ceifado centenas de vidas.

Embora os valores estejam disponíveis, Joshua Galjour disse que o mesmo é gasto mediante as necessidades das organizações de luta contra a pandemia. Porém, neste caso, frisou, é preciso que os programas sejam eficientes e eficazes, de forma a merecerem o financiamento.

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