Mostra “Untitled 02” exige o melhor dos artistas angolanos para promoção da arte nacional

Depois da exposição “Untitled 01” (intitulado em português), o Banco Económico sentiu a necessidade de realizar a II edição, desta vez com 46 expositores, e transformar esta mostra numa plataforma anual, com o grande objectivo de incentivar a criação artística local

A Galeria Banco Económico reuniu cerca de 46 artistas de diferentes contemporaneidades e experiências para a exposição “Untitled 02”, que levou o público a reflectir sobre temas quotidianos, nesta Terça-feira, na sua sede, em Luanda.

O recinto da galeria “respira” arte. O conjunto de obras, desde peças de pinturas, desenhos, instalações, banda desenhada e uma grande aposta em escultura, numa mostra em sistema de rotatividade, arrancou elogios do público.

A arte é uma forma de representação de emoções, que quase sempre são subjectivas. Para isso, os expositores estiveram presentes para explicar o real simbolismo das suas obras. Pemba, por exemplo, autora da exposição “Escravo XXI”, representou, com tinta a óleo sobre tela, a figura de um rapaz, inclinado para trás, colocando todo o seu peso na perna esquerda. Na imagem, o rapaz está trajado de pano azul nos membros inferiores e está de tronco descoberto.

A sua cabeça parece uma árvore variegada. À sua volta, observa-se um mundo imaginário salpicado com as cores preta, verde e vermelha. Segundo a artista, o seu quadro retrata o equilíbrio dos angolanos. A cor preta, a negritude, a vermelha, o nosso sangue e o verde a esperança. Já no quadro do artista Girão, vê-se um menino cabisbaixo, empunhando, na sua mão esquerda, uma escova de sapatos, na direita um pano e entre as pernas a caixa onde os fregueses colocam os sapatos. Tudo a indicar que seja um engraxador. Girão conta que baseou- se nos obstáculos de quem tem a graxa como “ganha-pão”. Um pouco mais pitoresco foi Guilherme Mampuya, que representou um coelho, um gato e um caracol, por serem os animais que receberam “Alice no País das Maravilhas”. Na fábula, Alice, quando chegou nesta terra sentia-se só, mas depois de encontrar estes animais a sua vida mudou. Mampuya, com a sua obra, chama a atenção para a solidão. E o mesmo defende que onde quer que formos, teremos sempre uma companhia.

Por outro lado, nesta “mescla” de artistas, um outro nome presente é de Fineza Teta, uma das artistas que nos últimos anos tem levado o nome de Angola alémfronteiras, através da sua arte. A mesma trouxe a representação da bessangana em duas vertentes: “nos trajes vermelhos que antecedem as calemas e nos trajes naturais que são os chamados xadrezinhos, mas que traz sobretudo o sorriso de toda mulher”, explicou

Exposição serve de intercâmbio

Esta exposição, segundo Henda Teixeira, administradora do Banco Económico, alinha-se com a política cultural do banco, na medida em que desenvolve claramente actividades que permitem a geração de oportunidades de criação, pesquisa e intercâmbio, de difusão das artes nacional e internacionalmente, de circulação da informação e de consolidação e captação de novos públicos para apoio à pintura feita em Angola. “O sucesso da primeira edição ditou que o show “Untitled 02” regressasse à Galeria Banco Económico. Com o sucesso do ano passado, percebemos que tínhamos de transformar esta mostra numa plataforma anual, com o grande objectivo de incentivarmos a criação artística local”, ressalta.

Entretanto, Álvaro Macieira, Thó Simões, Fineza Teta, Guilherme Mampuya, Armando Scoot, Adriano Cangombe e Francisco Van-Dúnem são alguns dos expositores presentes, assim como parte dos recém-formados do primeiro curso do Instituto Superior de Arte (ISART), uma aposta aos novos talentos locais, que realizam aqui a sua primeira exposição. Refira-se que, esta exposição colectiva, com mais de uma centena de obras, vai estar patente até ao dia 30 de Agosto. O público poderá contar com visitas guiadas às Segundas, Quartas e Sextas-feiras, das 15h00 às 16h00.

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