Trezentos toxicodependentes na lista de espera do centro de reabilitação

A directora do INALUD, Ana Graça, revelou que o Centro de Reabilitação e Reinserção para Tóxico-dependentes tem na sua lista de espera cerca de 300 cidadãos a aguardar por uma vaga. A capacidade de internamento da instituição é de 52 pessoas e neste momento já atingiu o número limite

Inaugurado em 2018, o primeiro Centro de Reabilitação e Reinserção de Tóxico-dependentes sob a responsabilidade do Estado começou a funcionar um ano depois, neste caso em Fevereiro do corrente ano, na província do Bengo. Segundo a directora do Instituto Nacional de Luta Anti-drogas (INALUD), Ana Graça, para o seu pleno funcionamento a direcção gasta, actualmente, 20 milhões de Kwanzas por mês, o que faz com que os utentes tenham todas as condições necessárias para serem reintegrados no seio familiar, assim como na sociedade.

Caso o paciente não seja internado, faz-se um acompanhamento psico-social na sua residência ou por telefone, devido à carência de assistentes sociais e meios de transporte. O centro comporta 52 dormitórios e, actualmente, estão todos ocupados, sendo que o paciente mais novo tem 15 anos e o mais velho mais de 40 anos de idade. Apesar de já ter atingido o limite estabelecido, a direcção do INALUD almeja que o número de internamentos venha a chegar aos 100, o que considera tecnicamente razoável.

De acordo com Ana Graça, a procura de tóxico-dependentes que pretendem entrar no centro com finalidade de ver ultrapassada a sua situação é alta. Estão na lista de espera cerca de 300doentes, uma situação caracterizada como preocupante, porque este registo representa os que estão minimamente controlados, mas que pode aumentar. Na sua maioria, os pacientes acorrem ao centro devido ao uso excessivo de substâncias psicotrópicas e bebidas alcoólicas e ficam internados num período mínimo de seis meses para a desintoxicação e reinserção.

Dar a volta aos problemas

“Apesar de tempos difíceis, temos conseguido dar conta das dificuldades até ao momento, em termos de logística – alimentação e medicamentos.

No que toca aos valores monetários para custear as despesas do centro, contamos também com a comparticipação dos familiares, e, graças a isso, temos os serviços a funcionar normalmente”, disse. Na área onde está erguido o centro, um espaço é reservado para actividades agrícolas, de modo a reduzir as despesas com a alimentação e, num futuro não muito longe, o excedente dos diversos produtos ali cultivados serão comercializados para melhorar a capacidade financeira da instituição.Dentro da instituição, os doentes recebem, para além do tratamento, seis refeições por dia, têm ainda aulas de artes e ofícios, actividades desportivas, terapia ocupacional (participam na colheita dos produtos de campo e ajudam a confecionar os alimentos), e recebem sobretudo o afecto e o amor de todos os funcionários.

O centro de reabilitação de tóxico- dependentes acolhe adolescentes, jovens e adultos de ambos os sexos com idades compreendida entre os 14 e 65 anos. Para ser internado no centro, o doente deve ter vontade própria para ser reabilitado, ser encaminhado por uma unidade de Saúde e acompanhado por familiares. Não deve ser violento e ter cadastro criminal virgem. “Para além de os doentes terem vontade própria, os familiares podem exercer influência sobre eles e levá-los para o local de tratamento, considerando que são doentes, do ponto de vista de saúde pública. A instituição tem recomendações de receber os que chegam por vontade própria também”, reforça.

Primeiro implante para deixar de fumar

Dos primeiros doentes em fase experimental foi possível introduzir num deles um implante, com a finalidade de inibir o uso de quaisquer substâncias psicotrópicas. Ana Graça explicou que a aplicação varia de paciente em função da condição clínica que o mesmo apresentar. O centro tem capacidade de atender a todo o utente que precise de usar o implante. “O implante é usado para sempre, com a função de inibir o uso de drogas”.

Ao que tudo indica, em Julho saem os primeiros hóspedes do centro, os que estiverem, do ponto de vista médico, em condições de voltar para a sociedade. Antes de saírem, os jovens passam por uma formação administrada pelo Instituto Nacional do Emprego e de Formação Profissional (INEFOP) que lhes permitirá ganhar valências e enquadrar-se na comunidade. Em termos de recursos humanos, a instituição conta com 50 pessoas, entre as quais dois médicos, igual número de assistentes sociais, cinco psicólogos, 11 enfermeiros, 11 vigilantes e seis técnicos de laboratórios.

O INALUD tem como prespectiva de expansão a construção de centros regionais a nível nacional. Segundo a directora, devido ao momento de crise, acredita que, por agora, não será possível começar com a construção, apesar de terem já alguns terrenos oferecidos por familiares de pacientes. Centro dividido em três blocos Walter Vantrien, administradorgeral do Centro de Reabilitação e Reinserção para Tóxicodependentes do Bengo, lembrou que a instituição que dirige está constituída por três blocos, designadamente o A, que alberga a área administrativa, sala de espera, sala de aulas, capela, laboratório, farmácia, ambulatório, lavandaria, refeitório e a sala de estar dos utentes. No B, encontramos as salas de aulas, alguns espaços ainda vazios em que perspectivam criar a área de interacção, centro de pesquisa e o auditório. Por último, o bloco C, que é o local reservado para desenvolver actividades agrícolas, avicultura e agropecuária. Na mesma área há ainda uma zona reservada para o desporto e o dormitório. O administrador apelou a todos os cidadãos no sentido de não entrarem para este mundo (das drogas), tendo em conta que a droga, seja ela qual for, destrói famílias, a vida profissional, e chega mesmo a matar.

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