Competição às escondidas

Não fosse a televisão, a caixa maravilhosa, não sei quantos africanos veriam o CAN que está a decorrer no Egipto, com os campos quase sempre às moscas, tirando os jogos dos anfi triões. Pode até ser sinal da instabilidade em termos securitários, pode ser sinal da pobreza generalizada dos egípcios que não lhes permite pagar os bilhetes, pode ser sinal até do pouco interesse que o futebol africano conquista, ainda que tendo jogadores que atraem multidões noutras partes do mundo. Pode ser tudo, mas é também a verdade que diz que o continente está mesmo atrasado na sua integração e na sua noção de felicidade.

Os africanos gostam de futebol, mas não têm dinheiro para pagar viagens, alojamento e alimentação em África, porque estas ofertas são para terceiros que, no fi m das contas, debitam tudo sobre os africanos outra vez. As ligações entre países africanos são um inferno, por terra os ataques e a quase ausência de vias, pelo ar os preços e o castigo dos vistos. As fronteiras mantêm o dinheiro no lado de fora. Eu gostaria de pensar que a ameaça sempre presente do terrorismo afastou as pessoas do CAN, mas há que encarar os factos: somos pobres.

Espero que este CAN ajude os engajados nas zonas de livre circulação e de livre comércio em África a pensar bem tudo isso. E que os governos percebam que discursos não bastam. É preciso fazer. E que quanto maior for a “abertura interna”, maior será o ganho e melhor será a segurança.

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