“Não há fantasmas na Polícia”

Isso mesmo Garantiu, a oPaís, um alto funcionário do Comando Geral da Polícia nacional (CGPn), em reacção à revelação do comissário Francisco Massota, de que encontrou 3.508 efectivos fantasmas que recebiam ordenados desde 2005 nas folhas de salário da Escola de Polícia de Protecção e intervenção

Os efectivos a que o antigo director da referida escola faz referência estão devidamente identificados e enquadrados em diversas unidades da Polícia, estando cerca de dois mil no Comando Provincial de Luanda, de acordo com a nossa fonte. No momento em que foram admitidos para fazerem a recruta, em função da quota disponibilizada, na época, pelo Ministério das Finanças a para admissão de quadros, foram cadastrados e receberam um número de identificação pela direcção de Recursos Humanos do Comando Geral da Polícia Nacional. E, atendendo ao facto de a partir daquele momento os cadetes terem direito a um subsídio, todos eles indicaram as contas bancárias pessoais em pretendiam que fosse depositado.

Depois de as pessoas serem distribuídas pelos diferentes postos de trabalho, continuaram a ter a escola como unidade orgânica, até que a direcção de Recursos Humanos e o Ministério das Finanças alterem. E este é um processo moroso. “Portanto, não há possibilidade de existirem fantasmas nas folhas de salário da Polícia”, garantiu. Acrescentou, de seguida, que “o [comissário Francisco] Massota tem consciência disso”.

Desmentiu também a informação de que o comissário Francisco Massota foi afastado do cargo de director da escola e nomeado conselheiro do Comandante Geral por ter descoberto os fantasmas. “Foi pelo facto de ter recrutado pessoas para ingressarem na Polícia à margem da lei”, disse. “A direcção de Inspecção e o Gabinete Jurídico da Polícia receberam tais denúncias e constataram que eram reais. Fez-se uma informação e reencaminhou- se o processo ao Ministério do Interior para que fossem tomadas as medidas necessárias, a luz das normas castrenses”, frisou. Por ter sido promovido a comissário, apenas o Ministério de tutela tem competência para requerer ao Presidente da República a sua despromoção ou expulsão da corporação.

O que não aconteceu. A função de conselheiro do Comandante Geral visava afastá-lo da possibilidade de ser colocado numa unidade orçamentada, atendo ao histórico que tinha de má-gestão. A fonte garante que uma das primeiras acções de vulto desencadeadas por Ambrósio de Lemos, quando ascendeu a Comissário- Geral da Polícia Nacional, em 2006, foi fazer o cadastramento de todos os efectivos e a bancarização dos salários que até então eram pagos à mão. Um projecto idealizado na época em que a corporação era dirigida pelo general José Alfredo “Ekuikui”.

leave a reply