Mais de cem albinos carecem de tratamento de cancro da pele

A Associação de defesas das pessoas albinas pede o apoio da sociedade no sentido de recuperar a situação de saúde dos seus associados que podem sucumbir a qualquer momento, caso continuem votados ao abandono

Um total de 110 albinos que carecem urgentemente de intervenção cirúrgica para combater o cancro da pele, sob pena de perderem a vida, solicitam apoio, revelou ao OPAÍS o presidente da Associação de Apoio aos Albinos de Angola (4AS), Domingos Vapor. Segundo o responsável, grande parte destes doentes não tem condições para tratar o problema de saúde que enfrentam por falta de recursos financeiros e pela vulnerabilidade das suas famílias.

Porém, diante da penúria, Domingos Vapor pede o apoio da sociedade no sentido de recuperar a situação de saúde dos seus associados que podem sucumbir a qualquer momento, caso continuem votados ao abandono. De acordo com o líder associativo, a sua organização, dentro das possibilidades, tem ajudado com o que pode. Mas, dadas as dificuldades de financiamento que atravessa, não tem conseguido responder à altura das necessidades. “O número é bastante elevado e não conseguimos ajudar a todos. Necessitamos de ajuda da sociedade. Essas pessoas estão a correr perigo de vida.

E se não lhes for dado o devido apoio podem acabar por morrer”, notou. Domingos Vapor disse ainda que, com muitas dificuldades, os seus associados têm recorrido aos hospitais públicos, cujo tratamento não corresponde, por falta de uma atenção especializada. “Como sabe, os nossos hospitais ainda não dispõem de tratamentos especializados virados para as pessoas albinas, e os nossos associados têm sido abandonados. Apenas fazem pequenas análises e é-lhes entregue a receita. As pessoas são obrigadas a comprar todos os medicamentos fora dos hospitais, quando na verdade não trabalham e não têm nenhum tipo de subsídio. Por isso é que vêem a sua condição de saúde a piorar”, lamentou.

Consciencialização permanente

Recentemente, a referida Associação realizou a sua 1ª Conferência Nacional sobre Albinismo, no âmbito do Dia Mundial de Consciencialização do Albinismo. Domingos Vapor afirmou que, apesar das constantes palestras e actos de sensibilização, a sociedade angolana continua, ainda, a ver os albinos com desprezo, pelo que julga ser necessário cada vez mais os actos de sensibilização permanente ao nível das comunidades, escolas e igrejas. Por outro lado, a falta de políticas públicas, sobretudo sobre a saúde e emprego, é, no entender da fonte, dos principais motivos que contribuem para a difícil condição social das pessoas albinas. “Temos vindo a solicitar o mínimo de assistência para essa franja da sociedade. Grande parte das pessoas albinas enfrentam sérios problemas sociais porque não dispõem de apoio para os medicamentos, não têm emprego e até são discriminadas nas escolas.

É muito triste”, deplorou”. Para Domingos Vapor, a discriminação contra as pessoas albinas poderá ter o seu fim quando houver equidade em termos de oportunidades sociais como emprego, educação e até mesmo o acesso aos cuidados e tratamentos de saúde, dada a especificidades da pele deste grupo de indivíduos. Segundo o activista social, em muitos casos, os albinos, no momento de concorrerem a vagas de emprego, mesmo que estejam doptados de ferramentas e de capacidades técnico-profissionais, ainda são postos de lado por causa da sua condição de pele. Essa situação explica bem o porquê do acentuado número de albinos desempregados, mal resolvidos e que acabam por encontrar nas ruas, por via de esmolas, a única forma de sobrevivência.

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