Caso CNC retoma hoje no Supremo

Caso CNC retoma hoje no Supremo

O ex-director adjunto para a Administração e Finanças do CNC, Eurico Pereira da Silva, prossegue o seu depoimento esta Terça-feira na sala de audiências do Tribunal Supremo. O co-réu, que manifestou total “disponibilidade” em cooperar com o tribunal na busca da verdade, começou a ser ouvido na passada Quinta-feira, 27 de Junho, e, ao contrário dos restantes acusados no caso CNC, confirmou a existência de “esquemas” de desvio do erário naquela instituição tutelada pelo Ministério dos Transportes. A manter a tendência, espera-se que Eurico da Silva faça novas revelações e acrescente novos elementos ao que se conhece até hoje.

O reu, que já manifestou o seu arrependimento ao ter concordado em “devolver” os valores de que se tinha apropriado indevidamente, atira as culpas para cima dos seus superiores hierárquicos, de quem diz ter recebido “instruções” de como proceder na divisão do “bolo do saque” aos cofres do Estado. O antigo responsável contou na semana passada que recebia as instruções do antigo director-geral, Francisco Itembo (prófugo) e de Isabel Bragança. O esquema consistia em recolher “propinas” de empresas envolvidas com o CNC e depois redistribuí-las para uma série de responsáveis. Os valores arrecadados eram “distribuídos” pelas contas dos restantes co-réus, com excepção de Augusto Tomás, depois de instruções claras de Isabel Bragança, que fornecia as contas e os respectivos montantes destinados a cada um dos beneficiários. Eurico Pereira da Silva confessou ter beneficiado de 10 milhões de kwanzas e mais de 200 mil dólares americanos, numa primeira oportunidade e mais tarde durante, a vigência do ex-director-geral António Paulo, as suas “luvas” terão sido de 195 mil dólares. Entretanto, garante ter “iniciado” o processo de restituição.

Caso CNC

O caso CNC começou a ser julgado pelo Tribunal Supremo a 31 de Maio do corrente e envolve o antigo ministro dos Transportes, Augusto Tomás, que é acusado de seis crimes. Tomás está detido no Hospital Prisão de São Paulo desde o dia 21 de Setembro de 2018, depois de interrogatório na Procuradoria Geral da República. No mesmo processo-crime, nº002/19, estão implicados Isabel Cristina Gustavo Ferreira de Ceita Bragança e Rui Manuel Moita, ex-directores- gerais adjuntos para as Finanças e para a Área Técnica do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), respectivamente. São igualmente arguidos Manuel António Paulo, antigo director-geral, e Eurico Alexandre Pereira da Silva, ex-director adjunto para a Administração e Finanças. O julgamento decorre na Câmara Criminal do Tribunal Supremo. Presidente o julgamento Joel Leonardo, coadjuvado por Norberto Sodré e João Pedro Fuantoni, todos juízes conselheiros do Tribunal Supremo.